segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cécrops, o primeiro rei de Atenas



Cécrops, que significa "face com cauda", tinha o corpo metade humano, metade serpente. Diz-se que este lendário grego foi o primeiro rei e fundador de Atenas, um herói cultural que teria ensinado aos atenienses sobre o casamento, a leitura, a escrita e o cerimonial de sepultamento. Uniu todos os povos da região, não através da força e da guerra, mas com sabedoria, poder de persuasão, bons conselhos e boas obras. Cecrops trouxe todas as tribos e clãs que estavam espalhados nas florestas, estabeleceu-se em doze municípios e elegeu um Senado; uma assembléia de homens sábios e prudentes para governar, administrar e cuidar da justiça.

Também deu forma e instituiu regras para a religião e convenceu ao povo a substituir os sacrifícios de humanos e animais sobre o altar por oferendas de trigo, frutas e flores.
Com sua habilidade de governar, Cecrops instituiu novas leis, regulamentou o casamento e os funerais. Assim deu força para que a sociedade tivesse mais responsabilidade e coesão familiar. Depois instituiu o primeiro recenseamento da história, criando a enumeração dos habitantes e estabeleceu os registros em seu reino.

Durante seu reinado, Athena e Poseidon fizeram uma competição sobre quem daria o melhor presente aos atenienses, e
assim se tornaria o protetor da cidade. Poseídon bateu numa rocha com seu tridente fazendo jorrar uma belissima fonte, mas a água era salgada e não foi considerada útil. Athena bateu sua lança na rocha e dela surgiu uma oliveira. Cécrops julgou que a oliveira era o melhor presente, porque produzia madeira, óleo e comida; Athena se tornou a protetora e deu seu nome à cidade.

Cécrops casou-se com Aglauro e dessa união nasceram as filhas: Agrauro pequena, Herse, Pandroso e o filho Erisicton. Certo
dia as irmãs Aglauro, Herse e Pândroso receberam um cesto da deusa Athena com a recomendação de jamais abrí-la. Dentro da caixa estava o pequeno Erisicton, que seria o futuro rei de Atenas, gerado pelo amor de Hefesto com a deusa, cujo segredo Athena preferia que ficasse guardado para sempre. Tomadas pela curiosidade, as irmãs abriram a caixa. Ao ver que a criança possuía um rabo de serpente, as moças enlouqueceram e cairam de um penhasco.

Erisicton morreu antes de Cécrops, e assim o rei não foi sucedido por nenhum de seus filhos. Cranau, o mais poderoso
dos atenienses, também autóctone nascido da terra assim como Cécrops, assumiu o torno em 1045 a.C. Foi durante o seu reinado que aconteceu o maior dilúvio da história, quando sobreviveu apenas Deucalião e Pirra. Curiosamente, todas as terras foram inundadas por Poseidon, o deus do mar, que havia perdido a competição...

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A estória de Cécrops simboliza o esforço para tornar uma nação justa e democrática, sem assistencialismo e protecionismo que causam apenas dependência e alimenta o sentimento de invalidez. Quando se cria cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, eles não se comportam como inválidos, não dependem do poder e nem de instrumentos de controle e defesa, mas criam a ideia de que devam receber serviços públicos adequados e não toleram desmandos do poder, tendo assim o direito de ser e exercer a verdadeira cidadania.

Sendo Athena, deusa da sabedoria homenageada como a madrinha, a cidade de Atenas teve um passado glorioso por suas artes, ciência e inteligência dos seus habitantes que se tornaram muito mais significativos do que suas guerras e conquistas militares. Cecrops foi o primeiro governante a exercer a diplomacia; a arte de governar e defender seu povo com inteligência e nobreza.

Ao julgar a questão de Athena e Poseidon, Cécrops considerou o que seria mais útil ao seu povo. Muitas vezes, o que deveria ser usado para educar, libertar, alimentar e reconhecer o poder da cidadania, acaba em mãos perversas que negam a educação para favorecer a ignorância, que gera a dependência, a fome e a incapacidade. Sem esperanças de cidadania, embarca na corrupção; aprende que é melhor ter padrinhos quando se deveria exigir o cumprimento da lei, oferecendo capacitação e oportunidade para todos.

O filho herdeiro morreu antes de Cecrops e o rei não foi sucedido por nenhum dos filhos. Suas filhas que ousaram desvirtuar os segredos da deusa da sabedoria, foram punidas com a loucura e levadas ao penhasco. Simbolicamente representa desenvolver o sentimento de culpa para preocupar-se com o outro e aprender a reparar o mal causado, o mal que deve ser combatido. É preciso que o criminoso não descubra os ganhos secundários do crime, que seja real: o crime não compensa.

O
perverso, o corrupto, o marginal algumas vezes consegue escapar das malhas da lei a quem desafia e da justiça a qual tenta corromper. Isto cria no ambiente social a idéia da impunidade, o que leva a um descrédito coletivo na lei e na justiça, e até a tentativas de fazer justiça com as próprias mãos, em cada um que se sente privado do exercício da cidadania e da auto-estima .

Fugir da lei para o perverso é apenas uma forma infinitamente dolorosa de descobrir que a lei existe, que muitas vezes
pode ser distorcida, ser corrompida, mas jamais será destruída, pois a deusa da Inteligência sempre estará presente numa guerra de deuses. Quando governantes se convencerem de que são espelhos para seu povo, estarão construindo cidadãos, futuros legisladores honestos. Uma idéia muito antiga: "Educai as crianças e não será necessário punir os homens! " escreveu Rui Barbosa...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ajax Menor e o reconhecimento dos erros



Ajax Menor, era conhecido assim para diferenciá-lo de Ajax I que tinha descomunal estatura. Ele foi um dos guerreiros que penetraram na cidade escondidos dentro do Cavalo de Troya e na última batalha, junto com Neoptólemo filho de Aquiles, entrou no palácio real e exterminou o rei Príamo.

Quando passou pelo templo dedicado a Atena, Ajax Menor descobriu a princesa Casandra refugiada embaixo de um altar, e apesar da súplica da princesa, Ajax Menor a violentou. Isto provocou a ira de Atena, e a deusa pediu a Poseidon que criasse uma grande tempestade, o que provocou o naufrágio da frota grega de regresso à sua pátria.


Ajax Menor conseguiu sobreviver ao naufrágio. Assim que passou a tormenta, sabendo que a ira de Poseidon era um
castigo por ter profanado o templo de Atena, ele ainda provocou Poseidon por não ter o deus conseguido exterminá-lo nas ondas.

No mesmo instante, um tridente emergiu das águas e, embora tentasse esquivar-se, o tridente o atingiu, fazendo com que seu corpo se transformasse numa rocha que sobressai das águas do Mar Egeu. Aquela rocha era uma lembrança a todos de que: aquele que não aprende com os próprios erros, em vão tentará escapar da certeira
justiça dos deuses.

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Assim como Ajax menor, muitas pessoas recusam-se a aprender com suas falhas ou a admitir seus erros. Por mais que os outros gentilmente as aconselhem, apenas justificam sua posição ou tentam, deliberadamente, encobrir seus erros, sem jamais admiti-los. Como poderão alcançar qualquer realização e progredir, se sempre se esquivam da culpa e se recusam a pensar nos conselhos que recebem?

É preciso coragem para admitir os próprios erros mas a verdade é que muitos são covardes, quando defrontados com a
perspectiva de ter de admitir e aprender com os seus erros. Isso porque a maioria de nós considera as falhas como sendo vergonhosas e admiti-las é uma grande humilhação.

O confucionismo ensina: Experimentar a humildade é aproximar-se da coragem. Quando errados, não devemos temer nos corrigir. Somente quando somos capazes de aprender com nossos erros, seremos capazes de corrigi-los. É utilizar a inteligência a nosso favor. Diz o ditado popular: Errar é humano; insistir no erro é uma grande burrice...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Admeto e Alceste - O apego e as perdas



Rei da Tessália, o jovem Admeto tratava muito bem seus súditos e servos. Foi sua sorte pois, sem que soubesse, o deus Apolo tomou lugar entre seus empregados. O deus ficou tão admirado com o bom tratamento que o rei dispensava a todos e resolveu recompensar aquela bondade tornando-se seu protetor. Primeiro ajudou Admeto a desposar a bela princesa Alceste, que era disputada por outros reis mais poderosos. Depois prometeu-lhe que, quando chegasse sua hora de morrer, ele teria uma segunda chance podendo viver o mesmo número de anos que já tivesse vivido.

Admeto e Alceste experimentaram por alguns anos as alegrias de um matrimônio feliz. Tiveram dois filhos que foram recebidos com grande júbilo pelos súditos e idolatravam o casal real. Entretanto, o jovem Admeto adoeceu repentinamente, tomado por uma enfermidade que parecia não ter cura. Pressentindo que ia morrer, invocou seu protetor Apolo. O deus o tranquilizou dizendo que a promessa seria cumprida. Tudo estava acertado com a Morte.

No entanto a Morte exigia uma compensação: ela pouparia Admeto se alguém se oferecesse para morrer no lugar dele. Como era um rei admirado, todos achavam que não haveria problema em satisfazer aquela condição. Mas Apolo enganou-se: ninguém quis assumir o lugar do jovem rei enfermo, nem mesmo seu pai e sua mãe, que já eram bem velhinhos. Ao saber disso, sua esposa, a doce e jovem Alceste, apresentou-se como voluntária alegando que não poderia continuar vivendo depois que o marido morresse.

Admeto chorou de gratidão e suas lágrimas se misturaram com as dela, numa tocante cerimônia de adeus que a Morte interrompeu para levar a rainha. Quando o pai veio lhe dar os pesames, Admeto inconsolável investiu contra ele acusando-o de egoista e insensível. O velho retrucou dizendo que gostava muito da vida para desperdiçar o pouco que lhe restava e que ele fora egoista e covarde ao permitir que sua mulher o substituisse.

O invencível Hércules ou Héracles, comovido com a trama que envolvia o casal, enfrentou corajosamente a Morte e conseguiu trazer a rainha de volta. Mas aquele desfecho surpreendente não teria um final feliz. Admeto ficou radiante, mas Alceste não emitiu uma só palavra ao se reencontrar com o marido. Uns dizem que ela estava muda de espanto com o que tinha visto no outro mundo.

Sem dúvida podia ser espanto, mas o motivo era bem outro: ao passar para o outro mundo, pode ver, pela vez primeira, o avesso de nossas vidas e tinha compreendido que o amor e a morte, a generosidade e o egoismo, a coragem e a covardia se entrelaçam, são inseparáveis, para formarem essa figura complexa, rica e imperfeita que é todo e qualquer ser humano.

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Quanto mais se evita sofrer mais se sofre, porque coisas pequenas podem nos atormentar na proporção do nosso medo de sofrer. Todo aquele que evita o sofrimento, ao final sofre mais ainda, porque o sofrimento advém de coisas tão mínimas e triviais que se torna sem objetivos.

A experiência de enfrentar a perda e a morte é um dos eventos mais estressantes, principalmente quando atinge os nossos laços afetivos. Ainda pequenos nos apegamos à nossa mãe, pela necessidade de segurança e proteção. Quando nosso objeto de apego está ausente ou há ameaça de perdê-lo, sofremos forte reação emocional e nos sentimos perdidos. Conforme Bowlby, em sua teoria do apego, quando somos ameaçados pela perda ou separação, reagimos de três maneiras:

A princípio protestamos, não admitimos a ausência do objeto amado. A seguir o nosso comportamento é de desespero, pois, não temos mais acesso a ele e não sabemos lidar com essa privação. Mas num terceiro momento nos defendemos e nos desapegamos, precisamos restabelecer a nossa homeostase e se não utilizarmos esse mecanismo de defesa estaremos sujeitos a sucumbir emocionalmente. Toda perda significativa pressupõe o luto, um processo que visa retirar a energia fixada no objeto perdido e redirecionada para outro objeto, segundo Freud.

Essa desvinculação do objeto perdido nos ajuda a vencer as etapas do luto, pois se nos fixarmos na perda e no objeto perdido estaremos contribuindo para que o processo do luto se desenvolva de maneira patológica. O luto é feito em fases: logo após a perda sentimos aflição e topor. Há momentos de negação, por horas ou dias. Depois temos o anseio de reencontrar, sonhamos insistentemente e interpretamos tudo como a presença de quem se foi.

Mas precisamos sobreviver e a vida nos impulsiona novamente para a homeostase, mas para que isso aconteça precisamos nos permitir viver a dor e a tristeza da perda. Cada um de nós vai processar essa experiência à sua maneira, mas precisamos dar vazão aos sentimentos que nos sufocam. O luto pressupõe tarefas, conforme nos aponta Worden em seu livro Terapia do Luto.

A primeira tarefa que precisamos realizar é a aceitação da realidade da perda, sem isso não poderemos prosseguir no processo. Após a aceitação dessa nova realidade em nossa vida precisamos trabalhar a dor que emerge da perda, e quanto mais significativa for essa perda mais sentimos dor. Se avançarmos na realização das tarefas do luto temos que nos acostumar com a falta da pessoa perdida no ambiente em que vivíamos com ela.

A vida nos chama e precisamos reposicionar em termos emocionais a pessoa que perdemos. É hora de destinar um lugar adequado para o ente querido que não está mais aqui conosco, mas que poderá permanecer para sempre em nossas lembranças. Com isso nos damos o direito de nos abrirmos a novas experiências com outras pessoas e com o mundo.

Há certos tipos de perdas, como um suicidio, que levam a um tipo especial de luto, pois nesse caso, um alto grau de culpa pode se estabelecer. Pode vir o sentimento de que poderíamos ter feito algo para evitar o fato. Também sentimos raiva do morto por ter nos colocado em uma situação onde além de perdermos somos estigmatizados pela sociedade como alguém que não foi capaz de impedir o acontecimento.

O aborto é outro tipo de perda que indica um tipo de luto especial, primeiro porque é uma perda carregada de auto censura mesmo que tenha sido espontâneo. E se o aborto foi provocado há muito mais dificuldade de ser elaborado, pois está enquadrado entre as perdas socialmente negadas. Fica difícil para uma adolescente procurar ajuda para esse conflito, principalmente nos países em que o aborto é crime.

Outro tipo de perda de difícil resolução é a perda ambígua. Conforme Walsh, a dificuldade em aceitar a realidade da perda e dar vazão ao processo do luto é a ausência do corpo do morto, nesse caso fica a sensação de que a qualquer momento a pessoa perdida poderá reaparecer. É muito difícil, por exemplo, para uma mulher que foi à praia com o marido e esse desaparece repentinamente no mar sem nunca mais retornar. O filho sequestrado ou desaparecido leva a mãe à não se desligar mais do evento da perda e a esperança de reencontro poderá durar indefinidamente.

Outro tipo de perda que leva a um luto mais dificultoso é a perda por assassinato. Sabemos que se o assassino continua solto após cometer o crime e dificilmente a família ou o ente querido mais atingido conseguirá entrar no processo do luto enquanto o assassino não for apenado. As questões legais e a morosidade da justiça dificulta a entrada da pessoa no processo e o que se observa é um desejo de vingança ou justiça, que embotam outros sentimentos que deveriam emergir para facilitar o processo do luto.

É muito difícil para nós da sociedade ocidental lidarmos com as perdas até porque nos apegamos em demasia às coisas materiais e somos insistentemente estimulados para o consumismo deixando de lado outros valores que agregam bem-estar e satisfação. Necessário se faz que estejamos dispostos a refletir e trabalhar as questões pertinentes à morte e às perdas, que muito facilitaria nossa vida e a nossa compreensão sobre a morte.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O castigo das danaides



As danaides foram as 50 filhas do rei Dánao, irmão gêmeo de Egipto, que tinha outros 50 filhos varões. Após disputa com seu irmão Egipto pelas terras do Egito, aconselhado por Atenas, Dánao se exilou com suas filhas em Argos, utilizando um barco de 50 remos. Em agradecimento as danaides ergueram em Argos um templo em honra de Atenas.

Quando Dánao se tornou rei de Argos, a região padeceu uma enorme seca. As danaides foram enviadas a procurar água, e uma delas, Amimone, foi importunada por um sátiro. Ouvindo seus gritos, Poseidon veio em seu socorro e lançou seu tridente contra o agressor. Enquanto o agressor fugiu, o tridente bateu em uma rocha de onde jorrou três fontes de água, salvando a cidade de Argos da seca.

Egipto querendo usufruir das fontes, mandou seus 50 filhos até Dánao pedindo que permitisse que eles se casassem com
suas 50 filhas. Mas Dánao desejou aproveitar a oportunidade para vingar-se do exílio que lhe havia sido imposto tempos atrás. Assim, Dánao permitiu o casamento mas aconselhou que suas filhas levassem uma daga na noite do casamento e matassem seus respectivos maridos.

Hipermnestra, a maior das danaides, não executou seu marido, Linceu, porque quando se encontraram, se apaixonaram. Por isso, foi submetida a um julgamento por desobediência a seu pai, mas foi absolvida por Afrodite que se comoveu pelo amor dos apaixonados.

Algum tempo depois, Dánao estava em dificuldades para casar novamente suas filhas. Dánao organizou uns jogos e ofereceu a mão de cada uma das quarenta e nove filhas aos quarenta e nove vencedores dos jogos, mas nenhum pretendente apareceu. Quando Dánao faleceu, Linceu foi coroado rei de Argos e as 49 danaides foram condenadas a encher com água um tonel sem fundos.

Os netos de Hipermnestra, os gêmeos Acrísio e Preto, reviveram o ódio dos avôs Dânao e Egito. Acrísio reinou em Argos e
Preto em Tirinto, ficando a Argólida dividida em dois reinos. Acrisio teve uma filha, Dânae, e devido à previsão do oráculo de que seu neto o mataria, ele prendeu a filha numa torre.

Dânae teve um filho de Zeus, quando ele se transformou numa chuva de ouro. Assim nasceu Perseu e que foi deixado
junto com Dânae numa arca que as ondas levaram às praias de Serifo. Porém sem saber, quando Perseu participava dos jogos em Larissa e atirou um disco, este se desviou e atingiu Acrisio entre os espectadores, matando-o. A previsão do oráculo se realizou...

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A expressão “tonel das Danaides” passou a significar, figuradamente, o esforço infindável porque nunca termina; o
trabalho feito repetidamente sem que nunca apresente um resultado proveitoso. Assim são as manias, obsessões patológicas que causam sofrimento e significativa queda no rendimento pessoal e perda de tempo.

Atos continuamente repetidos, que se tornam rituais, muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão
causada pelos pensamentos obsessivos. As compulsões normalmente ocorrem em função das obsessões e são gestos, rituais ou ações sempre iguais, repetitivas e também incontroláveis.

Muitas pessoas tentam evitar esses rituais mas se sentem muito angustiadas, muito tensas e o sofrimento é
grande, por isso sempre cedem às compulsões. Porém, ao livrar-se das manias, há um melhor rendimento pessoal e aproveita-se melhor o tempo e o dinheiro.

As antusas e o girassol, um amor não correspondido

As antusas ou anthousai em grego, eram as ninfas das flores e dos lugares floridos. A mais importante delas era Clóris - a verde, identificada pelos romanos como a deusa das flores e da vegetação, Flora.
 
Ela era esposa de Zéfiro - o Vento Oeste -  e mãe de Carpo - o Fruto. Reinava sobre os Campos Elísios ou as Ilhas dos Bem-Aventurados, o paraíso no Ocidente, além do Oceano destinado aos heróis da mitologia grega após a morte. As outras ninfas das flores eram: Iante, a ninfa das violetas - Rodeia, ninfa das rosas - Liríope, ninfa dos lírios.

Clítia ou Clítie era a ninfa do girassol e amava Helius, o deus Sol.
Quando ele a abandonou pelo amor de Leucotéia, devido ao sofrimento Clítia começou a definhar. Ficava durante todo o dia sentada no chão frio com sua tranças desatadas sob os ombros. Passavam-se os dias sem que ela comesse ou bebesse, alimentando-se apenas das próprias lágrimas.
 
Durante o dia contemplava o Sol desde o nascente ao poente. Era a única coisa que via e seu rosto estava sempre voltado para ele. À noite, curvava-se para chorar. Por fim, seus pés criaram raízes no chão e o rosto transfigurou-se em uma flor, que passou a se mover sobre o caule sempre acompanhando o sol. Assim nasceu o heliótropo ou o girassol...
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Você pode amar uma pessoa e não ser correspondido. Essa é uma verdade cruel, mas é uma realidade. Mas também outra pessoa pode te amar e você não corresponder. A vida é cheia de desencontros. O ideal seria dar valor e gostar de quem realmente gosta de você. Muitas pessoas infelizmente se apaixonam por pessoas que não correspondem o seu amor, pior quando tem um sentimento por alguém comprometido, por alguém da família ou mesmo pelo namorado da irmã. Enfim, há coisas constrangedoras que tornam o amor proibido e impossível de se tornar real.

É uma situação difícil e a solução não é fácil e nem simples, porém é preciso agir também com a razão. Mesmo que seja muito dolorido, é preciso fazer algo a respeito. Se você ama alguém e sabe que não há qualquer possibilidade, procure conhecer novas pessoas, sair mais com os amigos, falar deste assunto com alguém de sua confiança ou a um terapeuta. Depois tente evitar de pensar nisso e comece a viver sua vida. Ficar sofrendo em silêncio ou mesmo procurar a solidão, não são atitudes inteligentes.

O sol passa todos os dias e segue seu curso, vivendo a sua própria vida, enquanto a ninfa Clitia permanece enraizada no mesmo lugar perdendo oportunidades de viver. Por isso, esteja junto de seus parentes e amigos, sorria, divirta-se, pois mesmo que você sofra por alguém, esse alguém estará sempre sorrindo e divertindo, e não está nem um pouco preocupado com você...



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eros e Afrodite, o mito do signo de Peixes



Tifon, deus da seca, inimigo hereditário dos deuses, perseguia Afrodite e Eros, divindade da sensibilidade e das trocas sentimentais. Um amor impossível unia Afrodite e Eros e sendo perseguidos por Tifon, numa fuga desesperada, pedem auxílio a todos os homens e deuses, não sendo atendidos por ninguém, que temiam a fúria de Tifon. Somente a cabra Amaltéia os socorre, mostrando-lhes o caminho seguro para fugir daquele deus terrível, indicando o caminho do mar, onde Tifon não poderia mais perseguí-los.

Entrando no reino de Poseidon, finalmente se livram de Tifon que fica impossibilitado de entrar no mar por ser o deus da seca. Poseidon envia dois delfins amarrados com um laço de ouro que leva Eros e Afrodite para as profundezas do oceano, onde viveriam seu sonho de amor eterno, onde nunca mais seriam perseguidos, nem pelos deuses, nem pelos homens.

Agradecidos, os deuses transformaram os delfins na constelação de Peixes. Afrodite retornou para o mar, de onde tinha nascido e se protegeu do monstro que a perseguia, mas teve que abandonar a terra firme e o contato com o mundo concreto e a realidade da matéria, tornando-se prisioneira do amor no mundo distante e irreal, que era o fundo do mar.

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Poseidon na mitologia Grega, é a representação do deus dos Oceanos e das vias submarinas da terra. Ele pode ser um Deus bondoso e calmo, mas pode surgir de repente cheio de cólera, com seu tridente na mão, e se mostrar absolutamente hostil e destruidor. É na figura de Poseidon que encontramos a característica do signo de Peixes, que está sempre em conexão com um reino sem limites e de uma profundidade incomensurável. Peixes sabe que toda a vida se originou nas águas e, por esta razão, ele tem a compreensão total do que é a vida.

Peixes é o 12º signo do Zodíaco e resume em de si, todas as qualidades e contradições dos outros signos do zodíaco. Sendo o último signo do Zodíaco, ele compreende em si todos os outros signos, por ter se desenvolvido ao longo dos outros signos que o antecedem. É muito difícil definir o verdadeiro pisciano, pois ele é como um camaleão, se disfarça conforme a ocasião e se adapta a qualquer circunstância. Entre eles encontramos gênios como Einstein e ladrões, místicos e religiosos como Madre Teresa e drogados.

Peixes é o signo do misticismo e da fé. Os piscianos aspiram outra realidade, mais transcendental e longe da realidade. O pisciano quer ver o mundo perfeito, e por esta razão ele tenta apagar o sofrimento humano da face da terra, seja com a dedicação, seja com o escapismo, quando ele não suporta ver tanta miséria. É extremamente tolerante com os outros, porque ele consegue ver além das aparências e então busca ver, nos outros seres, somente o seu melhor lado.

Muitas vezes o pisciano é acusado de ser passivo e de não reagir mesmo às mais terríveis ofensas. Na realidade, ele compreende a alma humana como nenhum outro, e sabe que a ambição frenética pelo poder, a cobiça e a avidez não trazem a felicidade, por isso, ele é tolerante com os outros. Suas motivações são mais interiores e as coisas terrenas não lhe são tão importantes. Ele tem o segredo do inconsciente e possui a chave para abrir todos os mistérios da natureza humana. O signo de Peixes encerra em si todos os sofrimentos da humanidade, todos os seus anseios, todas as suas desilusões e ele anseia pelo verdadeiro amor universal.

O Mito do signo de Peixes é representado por dois peixes ligados por um cordão de ouro. Estes dois peixes olham cada um numa direção, daí a ambivalência deste signo. Ninguém é mais volúvel e mutável do que Peixes. Ele se disfarça, muda como um camaleão, e adora dramatizar e criar personagens. Mas ele precisa permanecer no mundo da fantasia pois a realidade é algo incompreensível para ele, por isso não consegue lidar com a matéria.

Estamos na Era de Peixes que logo será substituída pela Era de Aquário. No momento estamos vivendo a superposição das duas eras. A Era de Peixes é a era dos grandes avatares, como Buda, o Cristo, São João Batista, e outros que vieram trazer para a humanidade a mensagem da Era de Peixes, o sacrifício e o amor ao próximo. Mas o ser humano ainda não compreendeu totalmente a mensagem...

Eis porque o signo de Peixes é considerado tão devotado e se sacrifica tanto pelos outros seres. A chave para compreendê-lo é a compaixão. Ele possui uma grande compreensão daquele mistério que diz: dentro de cada homem há um Deus. Ele compreende o significado do princípio hermético: Deus é mente, o Universo é mental.

O signo de Peixes faz parte da Mente Divina e vê em cada ser humano uma pequena parcela Divina que ali reside. Por essa razão, ele perdoa sempre. No entanto, lhe falta a perseverança, disciplina, continuidade e dedicação ao trabalho. Ele não age, espera; se acha sempre vítima das circunstâncias e permanece passivo, até que lhe venha uma ajuda providencial...

Somente o tempo diz:
que confiança é vidro, que ganância é pedra,
que desprezo é arrependimento, que ilusão é tombo,
que mentira é espelho...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Erisícton e sua fome devoradora



Erisícton era um rei da Tessália, rico e violento, que não temia nem reverenciava os deuses. Um dia Erisícton resolveu construir um castelo e para isso violou um bosque consagrado a Deméter, deusa da agricultura, derrubando todas as árvores. Contra todos os argumentos de seus criados, Erisicton pos-se a derrubar árvores consagradas à deusa e a golpear com o machado um imenso carvalho, árvore favorita da deusa.

Do tronco ferido jorrava o sangue. Um dos criados tentou impedi-lo e teve a cabeça cortada em um único golpe. As
dríades, divindades da floresta, também não conseguiram impedi-lo e correram a Deméter, exigindo justiça. Num ato de extrema indignação, Deméter recorreu a Éton que personificava a Fome, e a colocou no estômago de Erisicton, despertando-lhe um apetite devorador, que nada era capaz de apaziguar.

Em poucos dias, Erisicton consumiu toda a comida disponível em seu palácio e gastou toda sua fortuna para comprar
mais e mais. Desesperado, vendeu sua filha Mnestra como escrava, para comprar mais comida. Mnestra recorreu à ajuda de Poseidon que lhe concedeu o dom da metamorfose.

Mnestra conseguiu escapar inúmeras vezes dos seus sucessivos proprietários, retornando sempre para junto de seu pai
que precisava vendê-la em troca de comida. Mesmo assim, Erisicton não conseguiu saciar-se e emagreceu sem parar. Enlouquecido, Erisícton começou a comer os membros do próprio corpo e acabou devorando a si próprio.

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O mito de Erisicton está presente naquelas pessoas que acham que os outros e o mundo deva fazer tudo para elas e, embora sejam alertadas sobre o perigo de sua indolência, continuam sempre dependendo dos outros para alimentá-los, vestí-los e para realizar seus desejos e caprichos. Estas pessoas, na sua ânsia de exigir dos outros cada vez mais, acabam destruindo sua capacidade de viver por si mesmas, desprezando os talentos e habilidades que cada ser humano traz em si.


Por outro lado, é um engano para aqueles que tentam atender todas as exigências dos outros, não só materiais como
emocionais, pois logo lhe faltarão recursos para atendê-los. E mesmo que tenham atendido todas as exigências que lhes tenham sido feitas; mesmo que se desdobrem para poder atender aos outros, ao final terão apenas destruído um ser humano que tinha todas as possibilidades para tornar-se uma grande pessoa, e não se tornou graças à pretensão de alguém em salvá-los das dificuldades da vida.

"Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar. Nada lhe posso dar que já não exista em si mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar senão a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu
próprio mundo, e isso é tudo." (Hermann Hesse)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Caos, o deus da desordem



Caos era o deus grego primordial. Representava a desordem inicial do mundo. Segundo a cosmogênese narrada no mito, com o surgimento de Eros começou a haver alguma ordem. Caos representava, ao mesmo tempo, uma forma indefinida e desorganizada, onde todos os elementos encontravam-se dispersos, e uma divindade rudimentar capaz de gerar.

Tal como a Terra em seus tempos originais, nele estavam reunidos os
elementos que compuseram todos os seres – mortais e imortais. De Caos nasceram Nix e Érubus e ambos uniram-se para a geração de novas deidades. No próprio Caos havia, entretanto, a força capaz de trazer-lhe ordem: Eros, tão antigo quanto os próprios elementos dispersos no Caos. Junto a ele, também Anteros. São forças de coesão e separação, espécie de yin e yang na visão grega dos primórdios.

Caos, junto com sua filha Nix, teria gerado as Moiras, deusas do Destino, cego a todos os mortais e deuses imortais.


* Cloto, em grego significa fiar, segurava o fuso e tecia o fio da vida, atuava como deusa dos nascimentos e partos.

* Láquesis sorteava o quinhão de atribuições que se ganhava em vida. Láquesis, em grego significa sortear, puxava e enrolava o fio tecido.
* Átropos, em grego significa afastar, ela cortava o fio da vida, determinava o fim da vida e jamais retrocedia depois de uma decisão.

Na mitologia grega, destino são as Moiras que, na roda da fortuna, teciam a sorte dos homens e deuses, e a cortava quando bem entendesse. Nem
mesmo o todo poderoso Zeus podia ir contra elas, pois qualquer coisa que fizesse alteraria de modo definitivo a sorte de todo universo.

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No mito de Caos, a desordem uniu-se à noite para criar o destino, que dizem ser cego, sem visão física mas com visão espiritual. O destino não sabe o que está em sua frente, mas sabe o que vem pela frente. Deus primordial, o Caos está na vida das pessoas que se esquecem de viver bem o presente para criar melhor o seu futuro.

Todos nós temos oportunidades de fazer as coisas certas, das atitudes moderadas para construir um futuro digno de um deus de
verdade. Porém se nos deixarmos corromper por pensamentos e atitudes negativas, estaremos criando o nosso Destino, deus cruel para aqueles que se esquecem que o Destino se faz. Quem não cria seu destino e vai à cegas pela vida, com certeza dá sorte ao próprio Caos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Afrodite e Adonis, a dor da separação



A figura de Adônis é relacionada desde a antiguidade clássica, ao modelo de beleza masculina. Adon significa Senhor em fenício e foi na Grécia Antiga que sua lenda adquiriu maior significação. O nascimento de Adônis foi fruto de relações incestuosas entre Smirna ou Mirra e seu pai Téias, rei da Assíria, que enganado pela filha, com ela se deitou 12 vezes. Quando percebeu a trama, Téias quis matá-la e Mirra pediu ajuda aos deuses que a transformaram em uma árvore, a Mirra. Da casca dessa árvore nasceu Adônis.

Maravilhada com a extraordinária beleza do menino, Afrodite tomou-o sob sua proteção e o entregou a Perséfone, deusa dos infernos, para que o criasse. Quando Adônis cresceu, as deusas passaram a disputar a companhia do menino. Zeus ao julgar a questão estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis preferia Afrodite e permanecia sempre com ela.

Brincando com seu filho, Afrodite se feriu com uma das flechas do amor de Eros. Antes que pudesse curar-se, Afrodite se apaixonou por Adônis. Ela passava o tempo todo com Adônis e quando ele saia para caçar, Afrodite recomendava:


- " Sê bravo com os tímidos pois a coragem contra os corajosos não é segura. Evita expor-te ao perigo para não ameaçar a minha felicidade. Não ataque os animais que a natureza armou. Não aprecio tua glória ao ponto de consentir que a conquiste expondo-te assim. Tua juventude e a beleza que me encantam, não enternecerão os corações dos leões e dos rudes javalis. Pensa em suas terríveis garras e em sua prodigiosa força. "

Logo depois Afrodite tomou seu carro puxado por cisnes e partiu através dos ares. Adônis, porém, era demasiadamente altivo para seguir tais conselhos. Imediatamente seus cães expulsaram um javali de seu covil e o jovem lançou seu dardo, ferindo o animal. Mas a fera não se amendrontou e investiu contra Adônis, que em vão tentava correr. Por fim, o javali o alcançou cravando-lhe os dentes, deixando-o estendido e moribundo.

Afrodite ouviu os gemidos de seu amado e voltou à terra com seus corcéis de brancas asas. Do alto viu o corpo sem vida de Adônis, coberto de sangue. Curvando-se sobre ele, esmurrou o peito e acusou as Parcas:

- " Sua ação constituiu um triunfo parcial. A memória de meu sofrimento perdurará, e o espetáculo de tua morte e de tuas lamentações, anualmente será renovado em memória de Adônis. Teu sangue será transformado em uma flor; este consolo ninguém pode me negar."

Espalhando néctar sobre o sangue, ao se misturarem, transformaram-se numa lagoa de onde nasceu uma flor cor de sangue, uma flor de vida curta. Dizem que o vento lhe abre os botões e depois arranca e dispersa as pétalas; assim é a Anêmona chamada de flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte. Sem poder conter a tristeza causada pela perda do amante, Afrodite instituiu uma cerimônia de celebração anual para lembrar sua trágica e prematura morte. Entre rosas e jacintos, muitas vezes repousa o jovem Adônis. Amortecida a dor, a seu lado jaz a triste rainha dos assírios.

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O mito de Adônis se relaciona com os ritos simbólicos da vegetação, simbolizando a morte da planta nas entranhas da terra e sua germinação simbolizando a vida. Adônis é considerado como o ciclo da semente que morre e ressuscita. A própria Afrodite teria instituído uma celebração anual na Síria para perpetuar a memória do seu amor oriental e a morte de Adônis era solenemente comemorada.


Os festivais anuais ocorriam em cidades egípcias e gregas. Durante os rituais fúnebres, as mulheres plantavam sementes de flores e regavam com água morna, para que crescessem mais depressa. Isso fazia com que as roseiras dessem flores rapidamente, mas rapidamente feneciam. Eram os chamados Jardins de Adônis e relembram que devemos aproveitar o momento presente, pois a vida é efêmera como a flor quando é colhida.




A história de Adônis e Afrodite retrata o amor marcado pela dor da separação. Quando passamos pela experiência de uma separação, a dor se instala e torna difícil manter o equilibrio e a serenidade. Perdemos as forças para fazer algo por nós mesmos, nada nos faz sentir melhor, como se houvesse uma culpa oculta pelos próprios sentimentos. Há uma mistura de sentimentos: culpa, abandono, raiva, medo, rancor, tristeza, frustração, impotência, dor, solidão, sem sabermos o que fazer com cada um deles.


Alguns tendem a negar os próprios sentimentos, evitando demonstrar seus sentimentos e, no entanto sofrem, porque o abandono é a morte dos sonhos a dois. Negar o que sente é o caminho menos indicado, pois os sentimentos podem buscar outras formas de expressão, em geral atacando o corpo. E, por mais que a dor seja intensa, o melhor caminho é enfrentar tudo o que se sente.

Separar-se de alguém, não é uma fácil tarefa. Ainda que se trate da definição de relacionamentos destrutivos, ainda que não houvesse mais amor, é um momento de dor que atinge a alma que sangra com a certeza de nunca cicatrizar. Há um sentimento de vulnerabilidade e incapacidade, quando as emoções alcançam uma grande intensidade e deixa de existir um espaço para a razão.


O momento da separação muitas vezes leva a um retorno ao passado, buscando a imagem da pessoa pela qual nos apaixonamos. Essa pode ser uma das dificuldades em aceitar a separação, pois há sempre a esperança de que volte a ser a pessoa que um dia conhecemos e idealizamos no passado. Tem-se as lembranças dos momentos agradáveis, das promessas de amor eterno, dos projetos feitos a dois. Muito provavelmente os projetos e sonhos só existiam para uma das partes; um sonho solitário marcado pela indiferença do outro.

Às vezes a prisão está apenas nas palavras do que nas atitudes ou falta delas. E o processo de separação visa corrigir exatamente essa falta de compartilhamento. Insistir no que não existe mais, derramar lágrimas pelo que não tem chance, perder noites de sono, não reverte a situação, ao contrário, torna-a mais dolorida.
Apesar da perda, dos erros e feridas, podemos e devemos, fazer algo para conseguirmos suportar esse momento tão cruel e que parece não ter fim. Respeitar os próprios sentimentos é o início da cura.

Ainda não existe um manual que ensine a esquecer um grande amor. Mesmo que os amigos aconselhe e recomende para esquecer, não se apaga da mente apenas o que se quer. Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. A mente age por conta própria para lembrar. Tenta-se ir ao shopping, ver vitrines, fazer compras mas basta chegar em casa para ir correndo rever fotos e reler cartas antigas. Qualquer música parece feita para atingir sua dor; qualquer livro tem a semelhança do que está vivendo; qualquer paisagem é motivo de lembrança de outras paisagens onde estiveram.


Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar, o melhor é esgotar a dor, permitindo-se recordar, chorar e ter saudade. Por mais árduo que o caminho possa parecer, pode se tornar muito mais iluminado, se permitir que sua própria luz te conduza. Um dia a ferida cicatriza e você, tendo se acostumado com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A maldição da Casa de Atreu



Crisipo era filho ilegítimo de Pélops, e meio-irmão de Atreu e Tiestes. Ainda jovem Crisipo foi raptado pelo Rei Laio de Tebas, que desejava torná-lo seu amante. Mas seu pai, Pélops, conseguiu recuperá-lo depois de uma luta em Tebas. Hipodâmia, sua madrasta, odiava-o e temia que um dia ele se tornasse rei ao invés dos seus filhos. Convencidos pela mãe, os irmãos gêmeos Atreu e Tiestes mataram Crisipo atirando-o em um poço. Após o crime, Pélops expulsou Hipodâmia e seus dois filhos, que se refugiaram em Micenas onde foram acolhidos pelo rei Euristeu.

Quando Euristeu se ausentou durante uma guerra estipulou que Atreu e Tiestes governariam temporariamente, mas
Euristeu morreu em combate e eles passaram a disputar o trono. A previsão do oráculo dizia que o herdeiro de Micenas seria um filho de Pélops. Seria coroado aquele que possuisse um cordeiro de ouro, considerado um emblema monárquico. Nos rebanhos de Atreu tinha aparecido o prodigioso cordeiro e Tiestes seduziu a esposa de Atreu convencendo-a a roubar o cordeiro de ouro, e assim tornar-se o rei de Micenas.

Zeus interveio na disputa estipulando uma prova. Numa noite, Zeus propôs que se no dia seguinte o por-do-sol fosse
pelo Este, Atreu seria o soberano; se fosse por onde sempre se punha, o soberano seria Tiestes. No dia seguinte o sol mudou seu curso habitual, ficando clara a preferência dos deuses. Atreu foi coroado rei de Micenas e expulsou Tiestes do reino.

Em seu exílio Tiestes casou-se com Laodamía e teve três filhos: Orcómeno, Áglao e Calileonte. Porém Atreu descobriu o
adultério de sua esposa com Tiestes e, para vingar-se, chamou Tiestes para que regressasse do exílio com a desculpa de que desejava reconciliar-se com ele. Em sua homenagem Atreu serviu um banquete, no entanto, a comida eram os três filhos de Tiestes: Áglao, Calileonte e Orcómeno. Tiestes não se deu conta do que comia, até que finalizado o banquete Atreu lhe mostrou as cabeças dos meninos. Tiestes lançou uma maldição sobre Atreu e seus descendentes, que ficou conhecida como a Maldição da Casa de Atreu.

O oráculo de Delfos advertiu a Tiestes de que só poderia vingar a ofensa se concebesse um filho com
Pelopia, sua filha. Determinado à sua vingança, protegido pela noite, Tiestes engravidou Pelopia sem que ela soubesse que ele era seu pai. Mas Pelopia roubou-lhe a espada, escondendo-a. Assim nasceu Egisto. Enquanto isso, uma grande escassez atingiu Micenas devido ao crime de Atreu e o Oráculo predisse que só terminaria com a volta de Tiestes.

Indo à
procura de Tiestes, Atreu chegou à corte do Rei Tesproto e ali conheceu Pelopia. Supondo que ela era filha de Tesproto pediu-lhe em casamento. Atreu casou-se com ela e aceitou Egisto como seu filho legítimo, sem desconfiar que Pelopia era filha de Tiestes e que Egisto era o neto. Quando Egisto cresceu, Pelópia lhe entregou a espada que havia roubado de seu violador desconhecido.

Tiestes
chegou a Delfos e logo foi reconhecido pelo emblema igual à sua espada e condenado à morte. Egisto era o verdugo designado para executar a sentença, mas no momento de executá-la, Tiestes contou a verdade de sua história e Egisto não executou seu pai. Indo ao reino de Atreu, matou-o, dando o trono ao seu pai Tiestes.

Agamenon e Menelau, filhos de Atreu, foram expulsos do reino e se refugiaram em Esparta no reino de Tindaréo, que
tinha duas filhas. Agamenon desposou Clitemestra e Menelau casou-se com Helena. Quando Tindáreo morreu, Menelau tornou-se o Rei de Esparta. Retornando a Micenas, Agamenon retomou o trono e foi nomeado Rei de Micenas.

Mas a Maldição da Casa de Atreu não finalizava por ai. Helena, esposa de Menelau, foi raptada por Páris, que deu origem à famosa Guerra de Troia. Agamenon tinha três filhas: Ifigênia, Electra, Crisotêmis e um filho, Orestes. Como não houvesse ventos em sua partida pelo mar, Agamenon sacrificou sua filha Ifigenia para que soprasse os ventos, mas Ifigenia foi salva por Ártemis tornando-a sua seguidora.

Clitemestra, esposa de Agamenon, tornou-se amante de Egisto enquanto o marido estava na Guerra de Troia. Quando
Agamenon retornou, foi morto por Egisto e Clitemestra. Orestes, o filho de Agamenon, ao tornar-se adulto, por ordem de Apolo, matou sua mãe Clitemestra e o seu amante Egisto. Perseguido e atormentado pelas Erínias, refugiou-se no santuário de Apolo em Delfos.

Julgado por seu crime em Atenas, o voto da deusa Atena desempatou o resultado a seu favor. Mas novamente por ordem de Apolo, Orestes partiu para buscar a estátua de Artemis e devolvê-la à cidade de Atenas. Preso, foi condenado a ser sacrificado à deusa, mas sua irmã Ifigênia, sacerdotisa de Artemis, reconheceu-o e o libertou. Orestes herdou o Reino de Agamenon, expandindo o reino quando se casou com sua prima Hermíone, filha de Menelau e de Helena.

Hermíone havia sido abandonada pela mãe, quando ela fugiu com Páris para Tróia, e só retornou 10 anos depois. Hermione havia se casado com Neoptólemo, filho de Aquiles, se tornando rainha de Épiro. Porém mandou assassiná-lo, pois tinha muitos ciúmes de Andrômaca, amante de seu marido. Assim, Hermione tornou-se esposa de Orestes. Eles tiveram um filho, Tisâmeno, e Orestes morreu aos noventa anos picado por uma serpente.

Tisâmeno se tornou Rei de Argos, Micenas e Esparta, mas foi derrotado e morto pelos Heráclidas, que eram os numerosos descendentes de Hércules. Os Heráclidas clamavam o direito dos reinados através de seu ancestral Hércules, isso porque, quando Héracles nasceu, o reino que lhe seria dado, foi dado a Euristeu devido às tramas de Hera, a deusa das deusas. Além disso, Euristeu havia imposto a Hércules os doze trabalhos para impedir que ele reinvidicasse o trono. Foi Euristeu que transmitiu seu trono para Atreu e Tiestes. A morte de Tisâmeno finalizou a Maldição da Casa de Atreu.

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A Maldição da Casa de Atreu é uma das narrativas mais fortes da Mitologia Grega. Sua essência é o conflito entre dois opostos, simboliza a mente humana em sua forma mais potente: a capacidade de criar o bem e o mal de acordo com a força de crença de cada um, de suas convicções e seus princípios, criando o individual conceito de justiça.

A Justiça pode ser conceituada como sendo o conjunto de características e valores, mutáveis em razão da evolução social, pelas quais o Estado, de forma coercitiva, e os demais membros da sociedade organizada, se balizam para criar e seguir regras que, isonomicamente, visem a manutenção dos pactos sociais estabelecidos para a criação e manutenção da sociedade, sendo um elemento essencial para a obtenção do bem comum.

Entre outros valores, Justiça é a virtude, liberdade, igualdade, racionalidade, boa vontade, boa fé, humildade ante a finitude da vida humana, moderação nas ações, honestidade e aplicação de sanções àqueles que descumprirem suas obrigações perante a sociedade. As Erínias são representações do remorso, da culpa que carregamos quando somos obrigados a ir contra correntes que não pactuam com a justa reparação ou com a transformação de ideias e conceitos.

A
narrativa é a reflexão de que o que é justo para uns, para outros é injusto. A justiça nem sempre é justa. A maldição que se inicia na narrativa de Tântalo, estendeu-se à sua estirpe e representa as crenças, costumes e cultura ultrapassados e que são transmitidos através de gerações.

A maldição da Casa de Atreu se estendeu até Orestes que teve a
incumbência de romper definitivamente com a maldição. Assim também, quando banimos os preconceitos perpetuados através de gerações; quando atualizamos as nossas crenças e costumes de acordo com a realidade de nossa época; libertamos não só a nós mesmos, mas também a todos que virão depois de nós.

Pelops

 

Filho mais novo do ambicioso Tântalo, Pelops foi esquartejado e teve seu corpo servido aos deuses. Mas os deuses logo descobriram a trama de Tântalo e o condenou à fome e à sede eterna. Pélops renasceu quando Zeus ordenou que o corpo de Pélops fosse atirado a um caldeirão, onde Cloto, uma das Moiras, lhe devolveria a vida, substituindo o ombro por um marfim. Para compensar seu sofrimento, ele foi transformado numa linda criatura, mais belo do que antes.

Quando Pelops cresceu, retornou ao mundo dos humanos. Enamorado de Hipodâmia, ele pediu-a em casamento. Porém seu pai, Oenomaus rei de Olímpia, já havia matado trinta anteriores pretendentes, porque uma profecia o alertara de que haveria de ser morto por seu genro. Como condição para o casamento, Oenomaus exigiu que Pélops o vencesse numa corrida de carros.

O rei possuia excelentes cavalos além de que seu servo Myrtilus sempre o ajudava a livrar-se dos pretendentes da filha. Vendo-se em desvantagem, Pélops pediu ajuda aos deuses que lhe concederam um carro puxado por cavalos alados. Ainda assim, Pélops achou prudente aliciar Myrtilus para que o ajudasse a vencer a corrida. Ele prometeu dar a Myrtilus a metade do reino que viria a herdar e o direito de passar a primeira noite de núpcias com Hipodâmia após o casamento.

Myrtilus aceitou a proposta e sabotou o carro de Oenomaus que resultou na morte do rei. Porém, Pelops não cumpriu a promessa feita e quando tentava matá-lo, Myrtilus lançou uma maldição sobre Pelops e Hipodâmia que iria além de todos os seus descendentes.

A maldição lançada por Myrtilus sobre o casal haveria de produzir resultados trágicos na família de Pélops. Dois dos filhos de Pelops, Atreu e Tiestes, mataram Crisipo, seu filho favorito que herdaria o trono. Além disso, Atreu serviu os filhos de Tiestes num banquete, acumulando as maldições que viria a atingir seus netos, Agamenon, Menelau, Egisto e Orestes. Durante o governo de Pélops, seu reino dominou todo a península do sul da Grécia, que passou a se denominar Peloponeso.

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O mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares, já que uma narrativa tem o propósito de levar à reflexão do comportamento humano. Os mitos estão perto do inconsciente coletivo e por isso são infinitos na sua revelação. Aquilo que os seres humanos têm em comum revela-se no mito.

Segundo Campbell, são histórias da nossa vida, da nossa busca da verdade, da busca do sentido de estarmos vivos. Os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, daquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente.

A idéia do determinismo expressa que algo ou alguém tem o controle de nossas vidas e que estamos impossibilitados de mudar o nosso destino. Sartre recusava a ideia do determinismo, demonstrando que o ser humano é livre quando escolhe as próprias ações, quando controla a própria vida e sabe que tem a possibilidade e o poder de mudá-la. A liberdade é algo condicionado por questões concretas, entretanto, ao tentarmos resolver os problemas e realizar os próprios projetos, temos escolhas.

A forma como fazemos as nossas escolhas é que determina a realização do que projetamos. Muitas vezes, por forças das circunstâncias, podemos eliminar algumas situações e ao mesmo tempo criarmos outras. Assim, somos agentes ativos de nossa história e da história da humanidade.

Não podemos responsabilizar nem aos outros e nem aos deuses por nossos erros e acertos; podemos sim, sermos responsáveis pela nossa vida, por nossas escolhas, pelos caminhos que optamos seguir. Quando escolhemos algo significa que teremos de abrir mão de outras. Essa é a responsabilidade da liberdade e das escolhas; as duas são inseparáveis...

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tiresias, o adivinho cego



Tirésias foi um famoso profeta cego de Tebas desempenhando importante papel na maior parte das lendas do ciclo tebano. Ele era o maior, o mais considerado e um dos mais notáveis adivinhos da mitologia grega. Alguns dizem que descendia de um dos guerreiros que nasceram dos dentes do dragão semeados por Cadmo, personagem lendário considerado como um dos disseminadores da civilização oriental na Grécia Central primitiva. Outros dizem que era filho do pastor Everes e da ninfa Cariclo. Conhecia o passado, presente e o futuro, além de interpretar o vôo e a linguagem dos pássaros.

Certa vez, indo ele orar sobre um monte Citeron, montanha da região central da Ática, consagrada antigamente ao deus Dionísio e às musas, encontrou um casal de cobras venenosas copulando, e ambas se voltaram contra ele. Tirésias matou a fêmea e imediatamente se transformou em mulher. Sete anos depois, indo orar novamente sobre o mesmo monte, encontrou outro casal de cobras venenosas copulando. Matou o macho e se transformou novamente em homem.

Por seu conhecimento sobre as particularidades dos dois sexos, ele foi chamado para opinar sobre quem estava com a razão em uma discussão que envolvia Zeus e Hera. A discussão envolvia saber quem teria mais prazer sexual, o homem ou a mulher. Viu-se, assim, diante da difícil tarefa de decidir a questão, porque sabia que qualquer que fosse sua decisão, um dos deuses ficaria irado com ele. De um lado Hera afirmava que o homem tinha mais prazer; Zeus dizia que era a mulher. Tirésias deu o seu veredicto: “se dividirmos o prazer em dez partes, a mulher fica com nove e o homem com uma”.

Hera considerou que com aquelas palavras, Tirésias teria sugerido a superioridade do homem, e o cegou
implacavelmente. Mas Zeus, compadecido da situação de Tirésias, lhe concedeu o dom da adivinhação, de conhecer o futuro, além do privilégio de sobreviver a sete gerações humanas e compreender a linguagem dos pássaros. Outras versões explicam que Tirésias perdeu a capacidade de enxergar ao ser castigado pelos deuses por ter revelado aos mortais os segredos do Olimpo; ou que foi punido por ter revelado a Anfitrião sobre as aventuras de Alcmena; ou que teria observado a deusa Atena banhar-se na fonte Hipocrene.

Residindo em Tebas, foi Tirésias quem predisse que Édipo, vencedor da Esfinge, assumiria o trono de Tebas e tomaria a mão de Jocasta, e ainda auxiliou ao herói na descoberta do mistério sobre seu nascimento. Predisse a morte dos sete chefes de uma infortunada expedição contra Tebas, e depois aconselhou aos tebanos a entrar em negociações com os Epígonos, que eram os filhos dos chefes mortos.

Não se sabe se escapou dos invasores ou se foi levado por eles como cativo. Conta-se que ele viveu até nove vezes a idade normal de um ser humano, período durante o qual foi sucessivamente homem e mulher. Mas a tradição revela que mesmo depois de morto o adivinho conservou o dom dos prognósticos, dos pressentimentos e das previsões, que exerceu no Inferno. Tirésias era adorado como um deus pelos tebanos, tanto que perto de Orcômeno, foi erigido em sua honra um célebre oráculo.

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Tirésias com o seu dom, teve o privilégio de sobreviver a sete gerações humanas. A mitologia grega está repleta de diversos personagens com a finalidade de revelar ao homem os desígnios dos deuses bem como o de descobrir que surpresas lhe reservava o destino. O grande interesse dos gregos pelo futuro aumentava à medida que as circunstâncias adquiriam um caráter adverso, ou seja, era justamente durante as crises, fossem elas grandes ou pequenas, de caráter pessoal, familiar ou social, que a consulta aos mensageiros dos deuses aumentava.

Oráculos, pitonisas, sacerdotes, adivinhos e sacrifícios são abundantes na mitologia. Mais do que palavras, traduziam a
fé do homem da época na existência de um poder superior e na possibilidade de relações recíprocas com este poder. Cada vez que um mortal dirigia uma pergunta a um deus, a resposta que recebia era denominada oráculo que vinha em forma de metáforas, nem sempre compreendida por quem os consultasse.

O homem sempre esteve inquieto pelo conhecimento do futuro, buscando meios de conhecê-lo através de inúmeros oráculos e ciências, que atualmente proliferam com a promessa de revelar as circunstâncias futuras, sendo que muitos não passam de embuste; seu fim é enganar incautos. Outros, lançam previsões alarmistas apenas para atender finalidades pessoais. Este é o motivo que muitas vezes leva à descrença e ao desprezo pelas artes que visam orientar as pessoas.

O principal propósito da Astrologia é ajudar as pessoas a descobrirem seu potencial e talentos, a aceitarem a si mesmas e
aos outros, melhorando seus relacionamentos sociais, pessoais e profissionais. Por isso, é imprescindível que os astrólogos tenham bom senso, responsabilidade moral e muito conhecimento astrológico para que possam oferecer um trabalho sério e honesto. O objetivo deve ser de ajudar as pessoas a reconhecer sua participação nos ciclos e eventos cósmicos e a ter uma perspectiva mais realista acerca de si mesma e de suas relações com o mundo exterior, identificando um sentido ou significado acerca das situações que vive, desenvolvendo a autoconsciência.

O astrólogo responsável sabe que é imprescindível saber como a pessoa vive o potencial mostrado pelo seu mapa, e tem consciência que os astros inclinam, mas não determinam, reconhecendo que todo ser humano é dotado de livre arbítrio e pode enfrentar e modificar as condições adversas encontradas em seu mapa astrológico de nascimento. O verdadeiro astrólogo sabe que ele é apenas intérprete e todo mérito pertence à Astrologia. Porém maus profissionais se deixam fascinar e podem causar danos irreparáveis a quem os consulta.

Maus profissionais costumam encarnar vários personagens, desde os especialistas em interpretações negativas, passando pelos que tentam enquadrar todos os clientes em algum tipo de diagnóstico psicológico, pelos que acham que as forças cósmicas são maiores que o livre-arbitrio, pelos que só dizem coisas agradáveis, os mal-intencionados que querem manipular ou programar a vida dos clientes, até os completamente incompetentes, que possuem apenas conhecimentos superficiais de astrologia, sendo estes os mais destrutivos de todos.


A astrologia pode prever o futuro e é possível descobrir, mediante estudos, as épocas futuras positivas ou negativas para cada uma das atividades da vida. Isto permite contornar e minimizar os problemas e maximizar os resultados em tudo que procuramos fazer de importante. Como conhecimento em si, a Astrologia desvenda os segredos da mecânica do Universo, a sua maneira de administrar o Karma e propiciar os acontecimentos terrenos. Mostra-nos que o acaso não existe e que há uma profunda coerência e justiça nas ocorrências de nosso destino, porém valorizando o livre-arbítrio.

Embora alguns astrológos possam se colocar como mestres, gurus, conselheiros etc., a astrologia é apenas um estudo
que permite uma profissão regulamentada e não dá nenhum poder divino àqueles que a exercem, pois as teorias e estudos astrológicos estão disponíveis a quem tenha interesse em praticá-la. Porém alguns astrólogos se recusam em compartilhar seu conhecimento e experiência, em detrimento de tão apaixonante ciência. Mais grave, são os astrológos que estipulam preços exorbitantes pelos seus serviços, restringindo a consulta e o estudo astrológico para poucos privilegiados...
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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