sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ganimedes - O mito do signo de Aquário



Ganimedes, o mais belo dos mortais, cuidava do rebanho de seu pai quando Zeus vendo-o se apaixona por sua beleza. Zeus transforma-se numa águia e o rapta, levando-o para o Olimpo, a morada dos deuses. Ganimedes passa a servir o néctar divino, o garçom dos deuses, e a água para os homens, o zelador da água potável. Por isso Ganimedes porta uma ânfora e tem uma função social.

Ganimedes é filho de Trós, rei de Tróia, um príncipe herdeiro do trono, assim como o seu irmão, Ilo. Para aplacar a dor de Trós, Zeus oferece uma parreira de ouro e dois cavalos, em troca de Ganimedes. Pelo poder de Zeus, o mortal mais belo torna-se um deus imortal, assim, Ganimedes é o protegido que recebe o apoio do deus dos deuses, para também se tornar um deus.

O Aguadeiro Celeste também é visto como um deus do amor homossexual – transgressor por natureza por romper com a lógica da procriação da espécie – assim como do amor do mais velho ao mais novo. Aquário é a afirmação da pulsão masculina, entre homens, para os homens, por causa dos homens. O feminino não se cria, afinal, Ganimedes liberta Zeus da obrigação da sua função procriadora; o relacionamento sem obrigações, sem contratos. Com Ganimedes, Zeus experimenta outro amor, além da natureza, além do corpo, além da genética, muito além da obrigação de fertilizar o mundo com o gen da divindade.

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Aquário é o impulso civilizatório, a fecundação in vitro, a transição política – para o bem estar da comunidade e também a relação do menino com o homem já feito, a quebra da convenção hierárquica, social e familiar que tanto se atribui a Aquário. O Deus do Olimpo na forma de águia, uma ave de rapina, simboliza a visão de longo alcance.

Prometeu



Prometeu era um titã filho de Jápeto e Climene, e irmão de Menécio, Atlas e Epimeteu. Prometeu era o mais jovem e tinha o dom da profecia. Desde pequeno era criativo e inteligente e usava este dom para comunicar-se com os deuses e compreendia a essência de todas as coisas do universo.

Foi atribuido a Prometeu e a seu irmão Epimeteu, a criação da raça humana e dos animais. Feitos de barro de terra e água, a criação humana recebia de Prometeu o sopro divino com o ar. Prometeu "o que pensa antes"; Epimeteu "o que pensa depois".

Quando Zeus se tornou o deus de deuses, se impôs aos homens, fazendo valer sua supremacia divina, e o fogo, simbolo do espírito criador, pertencia somente aos deuses. Prometeu, compadecido dos homens, sua criação, resolveu roubar uma faísca do fogo do Olimpo para oferecer aos homens, que assim poderiam cozinhar, aquecer-se e criar armas.




Enfurecido, Zeus planejou vingar-se, e mandou criar uma jovem muito bela feita de argila, chamada Pandora, dando-lhe uma caixa lacrada contendo as piores características dos deuses, entre eles, os dons negativos de Hermes, a perfídia e os discursos enganadores. Embora alertado por Prometeu, seu irmão se apaixonou pela jovem e a levou para junto dos homens.

Curioso, Epimeteu pediu a Pandora para abrir a caixa e imediatamente libertou todos os males que afligiriam aos homens; a violência, a miséria, as doenças e todos os males do mundo. Zeus ainda resolveu exterminar a humanidade, fazendo ocorrer um dilúvio durante quarenta dias e quarenta noites. Quando baixaram as águas, ainda restavam alguns seres humanos vivos.

Prometeu e seu filho Deucalião, recolheu os animais e os homens sobreviventes para repovoar a terra. Mas para garantir a paz no mundo e nos céus, Zeus mandou prender Prometeu em um rochedo onde, todos os dias, uma águia vinha bicar-lhe o fígado. Como ele era imortal, a cada dia a ferida cicatrizava até que a águia retornava para novamente feri-lo.

Zeus estava apaixonado por Tétis e Prometeu profetizou que se ele tivesse um filho com Tétis, estaria criando o Deus supremo do universo que o destronaria. Zeus agradecido por tê-lo alertado, libertou Prometeu e o levou para o Olimpo, afastando-o para sempre dos homens.

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O mito de Prometeu caracteriza o signo de Aquário, e todo sofrimento e inspiração de Prometeu fazem parte do mito aquariano. Assim como Prometeu, os aquarianos são idealistas, justos e lutam para proteger os fracos e oprimidos e para defender direitos iguais entre os homens, mesmo que tenha que enfrentar o poder.

São rebeldes, não se submetem às ordens superiores, são nobres, brilhantes, amantes do conhecimento e da ciência. Apreciam as invenções e novidades tecnológicas, possuem uma mente prodigiosa e avançada, estando à frente do seu tempo. Seu espírito curioso precisa constantemente de estímulos. São românticos, acreditam no potencial humano, embora sejam instáveis emocionalmente e anarquistas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hércules e a Hidra de Lerna - o mito do signo de escorpião



Hércules foi incumbido de doze trabalhos, dentre eles, matar Hidra, o monstro de nove cabeças que trazia pânico à cidade de Lerna. Mas antes de enfrentar o monstro, Hércules recebe uma mensagem de seu mentor: - " É ajoelhando que nos levantamos; é nos rendendo que conquistamos; é desistindo de algo que o ganhamos".

Hércules parte em busca do monstro que se esconde numa caverna escura, de noite perpétua, à margem de um pântano de águas estagnadas; e simboliza uma parte de nós que permanece oculta e resiste à iluminação.


Hércules chega ao covil da Hidra e atira flechas flamejantes ao esconderijo do monstro. Indignada, Hidra emerge do seu covil com ímpeto vingativo - da mesma forma, também nos sentimos assim quando situações nos obrigam a confrontar a besta que existe em nós ou a besta que existe nas pessoas à nossa volta.

Hércules tenta esmagar as cabeças de Hidra mas cada vez que corta uma cabeça outras surgem - da mesma forma quando tentamos destruir nossas emoções bestiais, elas continuam aparecendo. Finalmente Hércules se lembra da mensagem de seu mentor: "é se ajoelhando que nos levantamos".

Hércules se ajoelha no pântano e levanta o monstro á luz do dia e ela perde seu poder. Então ele corta-lhe as cabeças que não renascem mais. Porém nada disso acontece, senão enfrentarmos o lado bestial que vive em todos nós.

Hércules e o Leão de Neméia - o mito do signo de Leão




Na cidade de Neméia vivia no fundo de uma caverna um leão terrível, concebido por Selene uma temida feiticeira. Querendo vingar-se dos habitantes da cidade que a haviam expulsado, fêz surgir esta terrível criatura. Cobrindo a pele do leão com uma poção mágica, a criatura se tornou indestrutível, sendo incapaz de ser transpassada por qualquer arma criada pelos homens. Quando saía da caverna, devorava os habitantes de Neméia. Assim padecia a cidade com a fúria de Selena.

No Olimpo vários heróis eram instruídos pelo centauro Quíron e dentre eles se destacava Hércules, um dos filhos de Zeus. Percebendo sua bravura, lealdade e dignidade apesar de seu orgulho, Zeus resolveu iniciar Hércules nos mistérios do Olimpo, escrevendo com letras de fogo em uma folha de ouro, as 12 tarefas.



O primeiro trabalho iniciático seria matar o Leão de Neméia. Indo em direção a Neméia, Hércules tentou entender o motivo desta tarefa tão simples. Ao encontrar a caverna, Hércules entrou decidido a matar a criatura com inúmeras armas. Ao se aproximar do fundo da caverna, ele percebeu o leão vindo lentamente em sua direção. O Leão era enorme e fixando o olhar em Hércules, com seus olhos brilhantes e enigmáticos, Hércules foi surpreendido pelo ataque do leão travando com ele uma batalha terrível.

Hércules fugiu da caverna assustado mas resolveu retornar com suas armas, porém percebeu que elas não serviam para matar o leão. Mais uma vez ele foi surpreendido pelo ataque feroz do monstro e fugiu. Fora da caverna Hércules refletiu sobre a tarefa e decidiu enfrentar o leão sem armas, talvez fosse essa a tarefa: usar sua razão em lugar de sua força.

Aproximando-se do fundo da caverna viu novamente o leão se aproximando e fixando seu olhar em Hércules. Surpreso, Hércules viu que o brilho nos olhos do leão era um espelho que refletia sua imagem. Ferozmente o leão avançava contra Hércules. Depois de uma longa luta, Hércules estrangulou o leão que caiu morto.

Levando seu corpo para fora da caverna, Hércules viu o tamanho real do animal, que não lhe parecia tão grande assim. Resolveu olhar mais uma vez em seus olhos e viu que nada havia lá dentro. Ele havia conseguido vencer a si mesmo e ao seu orgulho. Arrancou o pelo do animal e dela fêz uma túnica, que o tornou indestrutível. E com a cabeça fêz um capacete, que upassou a usar em todas as outras tarefas, para sempre se lembrar que a força nunca deveria superar a razão.

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A luta de Héracles ou Hércules com as feras representa a constante luta que temos para conter a fera que mora dentro de nós, ao mesmo tempo que preservamos nosso instinto vital e criativo. O leão está sempre associado à realeza e, mesmo em sua forma destrutiva, é o rei dos animais, egocêntrico e selvagem, o princípio infantil. Dessa forma, sempre que derrotamos e vestimos a pele do leão, as opiniões dos outros que antes nos intimidavam, já não tem mais valor pois estamos vestidos com uma poderosa couraça, nossa própria identidade.

No entanto, por mais heróica que seja, a pele do leão sempre representa o egocentrismo, a dificuldade de lidar com a frustração e com a raiva contida. Não sabemos lidar com a frustração por não conseguirmos o que queremos, pela auto-importância inflamada e o orgulho desmedido. Entretanto quando dominamos essa fera que mora em nós, podemos utilizá-la de forma construtiva. As conquistas e vitórias exigem que deixemos para trás as couraças, que carregam uma alma sem paixão.

Cástor e Pólux - o mito do signo de gêmeos



No dia do casamento de Tíndaro - Rei de Esparta, Leda, sua noiva, foi banhar-se num lago construído especialmente para ela. Zeus viu Leda, exuberante e totalmente nua num lago cheio de cisnes. Apaixonado, Zeus se transforma num cisne branco .

Atraindo Leda em sua direção, Zeus fecunda Leda, e naquela mesma noite, ela é fecundada também por Tíndaro. Dessa dupla união nascem dois ovos. Num deles estavam Castor e Helena, mortais, filhos de Tíndaro. No outro ovo estavam Pólux e Clitemnestra, imortais, filhos de Zeus.

Castor era mortal, por ser filho de um mortal e Pólux imortal, por ser filho de Zeus. Eles viviam unidos em profunda amizade e os deuses os chamaram de dióscuros, filhos dos deuses. Hermes foi designado para dar-lhes o ensinamento sobre as artes e as lutas, plantando-lhes a semente da inteligência, da astúcia e da curiosidade.

Desde pequenos eram queridos pelas pessoas, pela sua simpatia e alegria. Zeus os considerava seus filhos mais amados, por serem os únicos que o tratavam como um pai, sempre o respeitando e demonstrando carinho. Foram designados a Quíron, no Olimpo, que os ensinou e orientou por muito tempo.

Castor e Pólux conviviam com outros heróis e nas inúmeras batalhas da expedição, distinguiam-se pela coragem e astúcia. Castor, dominava os animais e as armas; Pólux, era invencível e astuto. Ambos eram extremamente leais entre si e com os outros argonautas.

Durante as viagens eles se encarregavam de defender a nau e seus companheiros, mas à noite, quando todos estavam cansados e desanimados, Castor e Pólux faziam pantomimas e divertiam a tripulação, que os tinha como grandes guerreiros, amigos e companheiros valorosos.

Terminada a aventura dos Argonautas, os gêmeos voltaram à sua terra onde seriam conhecidos por defenderem os fracos e os jovens. Numa região próxima conheceram e se apaixonaram pelas irmãs Febe e Ilaira. Mas elas eram noivas e eles resolveram raptá-las.

Dias depois, os noivos enraivecidos e em perseguição aos gêmeos, os alcança num campo de guerra. Desafiados pelos noivos, inicia-se uma batalha que duraria dias. Castor, humano e mortal, era mais firme e ligado à terra. Pólux, um deus e imortal, era mais ligado aos céus e à mente.

Por um momento, Pólux se distrai, o suficiente para seu irmão ser traspassado por uma lança que o atinge. Neste instante, ouvindo o grito de dor de seu irmão, e cheio de ira, ele mata todos ao seu redor e vai em direção de seu irmão que morria. Zeus, reconhecendo o grito de um de seus filhos favoritos corre em direção ao campo de luta e vê uma cena dantesca, seus filhos mais adorados em desespero.

Pólux implora que Zeus interceda neste instante, impedindo Castor de morrer ou que também lhe tirasse a vida, pois não poderia viver sem ele mesmo. Porém Zeus não podia interferir nas questões de vida e morte; também não poderia passar a imortabilidade para Castor pois assim Polux morreria.

Sem saber o que fazer, Zeus atende ao pedido, e assim que Castor recebe a luz da imortalidade, Pólux começa a morrer. Castor pede a Zeus, que não deixe seu irmão morrer e Zeus atende ao pedido, porém eles trocariam vida e morte diuturnamente. Enquanto um estava na terra outro estaria no céu, e se encontrariam quando trocassem de posição. Inconformados por não estarem sempre juntos, Castor e Polux foram transformados na constelação de gêmeos, onde estariam juntos para sempre.

Signo de Gêmeos

O mito demonstra a dualidade do signo de gêmeos, com sua astúcia e versatilidade; com sua esperteza e destreza manual; com seu poder de observação e esperteza. É o lado etéreo em constante conflito com o racional; o poder de persuação e a capacidade de negociação.

Minotauro - O mito do signo de Touro



Europa era uma linda jovem e enquanto se banhava na praia o poderoso Zeus a viu e se apaixonou por ela. Sabendo que Europa gostava de grandes animais, Zeus se transformou em um touro branco com chifres e cascos de prata. Ao se aproximar, encantada Europa montou no touro que a levou para a Ilha de Creta.

Do romance com Zeus nasceu o filho Minos e Zeus lhe deu a ilha de presente que se tornou rica, fértil e repleta de touros.
Ao crescer Minos esposou Pasifae. Querendo ser ainda mais rico, Minos fêz um pacto com Poseidon para que triplicasse sua fortuna prometendo-lhe seu melhor touro como pagamento. No entanto, não querendo desfazer-se de nada, resolveu entregar-lhe um touro comum.

Quando Poseidon percebeu que tinha sido enganado chamou Vênus para ajudá-lo na vingança.
À noite Vênus implantou no coração de Pasifae, mulher de Minos, um amor alucinante por um touro. Incapaz de conter seu desejo ela pediu a Dédalo que construisse uma armadura de madeira na forma de vaca para aproximar-se do touro. Desta união nasceu o monstro Minotauro, um homem com cabeça de touro.



Sentindo-se envergonhado pela traição, Minos mandou construir um labirinto de onde não se encontrasse a saída e ali encarcerou a criatura. Ao invadir Atenas, Minos subjugou seu povo fazendo-os escravos. Semanalmente levava 7 rapazes e 7 moças virgens para aplacar a fome do Minotauro.
Inconformado com essa prática de Minos, Teseu, o filho do Rei de Atenas, juntou-se a um grupo de jovens com o intuito de matar o Minotauro para salvar as moças e rapazes que seriam sacrificados.

Em Creta Teseu encontrou Ariadne, a filha do rei Minos, que se apaixonou por ele e lhe entregou um novelo de lã que o ajudaria a sair do labirinto. Teseu matou o Minotauro; a parte humana do Minotauro foi deixada na terra e a parte animal foi elevada aos céus onde se tornou a constelação de Touro.


Signo de Touro

O signo de Touro rege a fertilidade, a estabilidade, a fixação, a posse, as reações emocionais violentas frente a perda de suas posses, os jogos de sedução, a consciência material, o impulso sexual profundo, a necessidade de ter primeiro a prática para após elaborar o compromisso, a experiência do aqui e agora, o perfume, o toque e todas as sensações são bem percebidas por este signo.

Podem agir sem medir as consequências de seus atos e buscam a experiência arquetípica do amor, da paciência, persistência e teimosia.
O lado sombrio é caracterizado pelo desejo de vingança, mas são capazes de abrir mão de coisas valiosas em nome do amor. As sensações são sentidas no plano material, na gula e no prazer físico. Os taurinos gostam de plantar, criar raizes, tem paixão e ciúme de suas posses e pessoas queridas, com a necessidade de segurança através dos bens materiais.

Textos relacionados: Teseu e suas desventuras, Dédalo e Icaro


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Aquiles - o mito do signo de Câncer




Tétis, a deusa do mar, era desejada como esposa por Zeus e por seu irmão Poseidon. Porém Prometeu profetizou que o filho da deusa seria maior que seu pai, e diante disso os deuses resolveram dá-la como esposa a Peleu, um mortal já idoso, intencionando enfraquecer o filho que dela nasceria e seria apenas um humano.

Nasceu Aquiles e Tétis visando fortalecer sua natureza mortal, mergulhou-o, ainda bebê, nas águas do mitológico rio Estige. As águas o tornaram um herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para o mergulhar no rio, daí a famosa expressão “calcanhar de Aquiles”, significando ponto vulnerável.

Aquiles tornou-se o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda era mortal. Mais tarde, sua mãe profetiza que ele poderia escolher entre dois destinos: lutar em Tróia, alcançar a glória eterna mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, mas sendo logo esquecido. Aquiles preferiu a glória...

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Câncer é o signo cujo símbolo é o da fecundidade, que permite uma concepção do protecionismo instintivo, que manifesta-se dentro do recipiente que envolve, nutre, aquece, acolhe e protege. Câncer é o símbolo dos processos que mantém a vida latente. Seu símbolo, o caranguejo, cuja forma arredondada e fechada lembra o útero que engloba, nutre e que permite o desenvolvimento da vida.

É a defesa contra um mundo hostil, o símbolo da família que resguarda nossa história, nossa memória, nosso passado. Câncer, símbolo da mãe, provedora da vida que alimenta, envolve, ampara, protege e apoia seus filhos. Aquela que protege contra a deterioração e brutalidade do mundo exterior, resguardando todos os sonhos e as imagens essenciais de nossa história.

O mito representa os cuidados maternais: Têtis, era uma deusa mas seu filho era um mortal e ela quis transformá-lo em um deus de forma que nada pudesse atingí-lo. No entanto, por mais que tenha tentado protegê-lo, uma parte do filho ainda era vulnerável, escapando da sua proteção e indo de encontro ao seu próprio destino, no qual a deusa não poderia intervir.



Polifemo e Galatéia


O caso de amor de Polifemo e Galatéia que resultou numa vingança por um amor não correspondido, é um mito dos gregos. Polifemo era um ciclope, pastor jovem e apaixonado pela bela nereida Galatéia. Mas como era feio, portador de um único olho, a jovem o repudiou e rejeitou seu amor.

Polifemo, era um ser brutal, rude nos seus atos e na sua parca conduta de vida, e vê na bela e frágil Galatéia, o redimir da sua essência primitiva, domesticada pelo amor e pelos sonhos da paixão. Se a beleza da jovem suscita no monstro a delicadeza, o amor verdadeiro; nela ele apenas desperta o medo e terror.

Loucamente apaixonado, ele oferece à jovem as mais belas jóias, belas vestes e moedas de ouro, a tudo ela recusa, sem o mínimo de comoção às súplicas e ao amor do Ciclope. Sem ter o seu amor correspondido, Polifemo passa o tempo a cantar a beleza de Galatéia, para assim tentar fugir da imensa dor que lhe trespassa o coração apaixonado. Polifemo encontra na música o refúgio para afogar a sua mágoa de amor, retratado por Teócrito num de seus “Idílios”.

Mas em outra versão, Ovídio apresenta o amor de Polifemo por Galatéia, transformando-o em um ser compulsivo e violento, diferente do romantismo lírico.
Diante da recusa de Galatéia ao seu amor, o Ciclope desconfia que ela está apaixonada por outro. Polifemo segue Galatéia e, confirmando as suas suspeitas, ao vê-la nos braços do belo Acis, entregando-se apaixonadamente, Polifemo não suporta o que vê. O seu coração magoado enche-se de ódio, transportando-o para uma fúria cega e perigosa.

Desesperado, dilacerado pelo ciúme, ao ver o casal entrelaçado na praia, Polifemo solta um grito cortante, como um trovão a rasgar o céu. Assustada, Galatéia foge para o mar, mergulhando na imensidão das águas. Acis, ao tentar acompanhar a amada na fuga, é atingido por um rochedo que lhe é atirado por Polifemo. O jovem cai sem vida.
Comovidos pelos prantos de Galatéia, ante ao amado morto, os deuses transformaram Acis num rio que corre próximo ao monte Etna. Polifemo sente-se vingado. O ódio aliviou-lhe a angústia do coração apaixonado.

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O mito de Polifemo nos remete a uma das maiores dores do ser humano, a de não sentir-se amado e maior ainda é a dor, quando é desprezado. Porém, mais do que se pensa, muitas pessoas já passaram por essa dor e poucas escaparam dessa situação. A primeira reação é ficar se perguntando por quê. Muitas perguntas dilaceram a alma; aquilo que poderia ter sido, não se concretizou; o que antes era amor se torna uma dor.

Muitas vezes, o amor não desabrocha por razões óbvias e concretas, talvez não justificáveis para si, mas suficiente para fazer com que a outra pessoa simplesmente não te ame porque não lhe desperta atenção e nenhuma emoção. Em outros casos, a pessoa amada não encontra uma justificativa para te amar. Você pode ser uma pessoa legal, inteligente, agradável, cheirosa, educada, trabalhadora, amiga, e possuir diversas outras qualidades e, ainda assim, não despertar o amor em outra pessoa. Isso não significa que você valha menos.

Existem casos em que a outra pessoa pode até tentar corresponder, mas depois de algum tempo chega à conclusão que não há razões convincentes para continuar com você. Pode acontecer uma atração física temporária, mas depois não há de novo quando se instala a convivência. Algumas pessoas mais honestas admitem que acabou o tesão.

Diante de situações como essas, pode haver a sensação de ver o mundo desabar, a auto-estima minguar e a alegria derreter juntamente com as lágrimas. Depois das desesperadas tentativas, ao tentar encontrar uma razão, acaba por se culpar por algo que tenha feito ou não tenha feito, seja nas atitudes, palavras, comportamentos, qualquer coisa que mostre, pelo menos, a chance de reverter a situação.

E porque se constata que não há motivos, que nada pode-se fazer, que não há o que justificar, o jeito é conformar-se que o amor simplesmente tenha acabado ou nunca tenha existido. Um amor não morre, um amor quando existe sobrevive a todas dificuldades. E se morre, é porque não existiu.

E para tamanha dor, só há um remédio: o tempo. Porque o tempo tudo cura, tudo revela e tudo faz renascer. O coração cicatriza, a alma se torna mais sábia e o amor ressurge em busca de um outro coração, em busca de uma nova tentativa de ser feliz, na busca de uma nova vida.

O segredo é se valorizar e acreditar em si. Claro que há um período de tristeza mas depois disso o importante é ter consciência de que a vida é feita de tentativas, com erros e acertos. Certamente, acabará encontrando alguém que seja capaz de te amar...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jasão e os argonautas - o mito do signo de Áries



No reino da Beócia, o Rei Atamante casado com Néfele, teve dois filhos: Frixo e Hele. Mas Atamante se apaixonou por outra mulher e ao renegar Néfele, suas terras se tornaram inférteis. Atamante foi consultar o oráculo, mas a amante Ino havia subornado e pedido que os mensageiros do oráculo recomendasse a Atamante para sacrificar seu filho Frixo para que a terra frutificasse novamente. Descobrindo a cruel trama, a ex-esposa Néfele pediu ajuda a Poseidon para salvar os filhos.

Poseidon lhe entregou um carneiro voador chamado Crisómalo que levou em fuga Frixo e Hele ao reino de Cólquida. Hele caiu no mar e Frixo prosseguiu tendo oferecido a Zeus a lã de ouro do carneiro, o velocino de ouro. Em retribuição, o rei da Cólquida lhe deu em casamento sua filha. Dessa união nasceu Argos,que foi lançado ao mar, porém foi salvo pelos deuses e levado ao Olimpo. O destino faria com que Argos retornasse a Cólquida.

Frixo foi morto para que o velocino permanecesse no reino. Desde então, a fama do Velocino de ouro espalhou-se por todo o mundo antigo, pois se dizia que ele tinha o dom de trazer prosperidade, riqueza e auto-realização espiritual a quem o possuísse. Muitos eram aqueles que cobiçavam o tesouro, porém o único homem valente e puro o suficiente para realizar essa façanha nascia naquele momento.

Em outras terras, Esão ao assumir o trono se casou com Polimede e teve com ela um filho de nome Jasão. Pélias, meio irmão de Esão, usurpou o trono e matou Esão e sua mulher Polímede, lançando Jasão ao mar, a criança herdeira do trono. Jasão ainda bebê foi recolhido pelos deuses e levado ao Olimpo para ser educado pelo centauro Quíron junto a outros heróis.

Pélias foi avisado pelo oráculo de que no futuro um jovem sem sandálias apareceria para tomar-lhe o trono. Aos 21 anos Jasão foi incumbido de recuperar seu trono e indo ao reino perdeu uma de suas sandálias. Ao vê-lo, Pélias lembrou-se do oráculo. Jasão desafiou seu tio Pélias a entregar-lhe o trono, mas Pélias resolveu testar a coragem de Jasão e concordou em entregar o trono desde que Jasão lhe trouxesse em troca o velocino de ouro.

Jasão e Argos que tiveram o mesmo destino durante a infância, ambos foram jogados ao mar e foram salvos pelos deuses, se tornaram amigos. Jasão aceitou a tarefa impossível e pediu a Argos para construir uma nau que foi batizada de Argos. Convocou seus amigos heróis: Hércules, Aquiles, Castor, Pólux e outros, dando o nome de Argonautas aos tripulantes. Seguiram viagem protegidos pelas deusas Hera e Atena, que tinham trazido um pedaço de carvalho encantado, do qual foi feita a proa e que tinha o dom de profetizar.

Chegando a Cólquida Jasão exigiu o velocino de ouro mas o rei lhe disse que o velocino se encontrava no fundo de uma caverna, protegido por dragões. Porém ele lhe entregaria o velo se ele cumprisse uma tarefa. Estando sob a proteção de Hera, ela pediu que Afrodite fizesse Medéia, a filha do rei, se apaixonar por Jasão para que ela o ajudasse.

A tarefa de Jasão consistia em lavrar um campo com dois touros monstruosos, indomados e com cascos de bronze, que expeliam fogo pelas narinas. Em seguida, teria de semear no campo lavrado os dentes de um dragão que fora morto por Cadmo em tempos passados. Conhecedora dos segredos de todas as artes ocultas, Medéia sentiu afeição por Jasão e sabendo das pretensões de seu pai, prometeu ajudá-lo desde que ele casasse com ela e a levasse consigo.

Medeia adverte-o de que dos dentes de dragão nasceria uma seara de soldados que o atacariam, porém bastaria lançar uma pedra no meio do exército e eles matariam uns aos outros. Com tais conselhos, Jasão executou as tarefas com facilidade e voltou a reclamar o velo de ouro. Aetes ainda resistiu e tentou incendiar a nau e matar toda tripulação de Jasão.

Auxiliado por Medéia, que era hábil feiticeira, Jasão e os Argonautas conseguiram roubar o velocino e ao partir Medéia raptou seu irmão, o príncipe herdeiro do trono, Absirto, levando-o como refém. Em fuga pelo mar e perseguidos pela esquadra do rei, Medéia esquartejou seu irmão lançando seus pedaços ao mar, para salvar os Argonautas e Jasão. Enquanto o rei de Cólquida recolhia os pedaços de seu filho, a nau Argos fugiu.

Durante a longa viagem de volta, Jasão teve 2 filhos com Medéia. Quando retornaram, mesmo com o velocino de ouro, Pélias se recusou a entregar o trono. Medéia tramou matar Pélias para dar o trono a Jasão. Quando Jasão finalmente tomou posse do trono, ele se apaixonou por outra mulher. Repudiada e cheia de ódio, Medéia envenenou a amante e trucidou os filhos da amante com Jasão. Ao fugir para Cólquida, Medeia lançou sobre Jasão uma terrível maldição, de que morreria de forma violenta.

Jasão foi considerado indigno de ocupar o trono e foi deposto pelo povo. As filhas de Pélias, orientadas por Medéia, ressuscitaram seu pai que reassumiu definitivamente o trono. A profecia de Medéia se cumpriu quando Jasão, ao inspecionar obras de manutenção em sua nave Argo, morreu sob o peso de uma viga de madeira, que despencou de um mastro e esmagou sua cabeça.
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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