terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dactilus, os criadores dos Jogos Olímpicos

 
Segundo a Mitologia Grega, nas encostas do Monte Ida, a montanha mais alta de Creta, moravam Hekaterus - o deus das mãos e sua esposa Ankhiale -  deusa do calor do fogo, irmã de Prometeu que roubou o fogo para dar à humanidade. Hekaterus e Ankhiale representavam o poder das mãos para utilizar o fogo e eram os pais das 5 Hekaterides e dos 5 Dáctilus - os Dedos: Héracles de Ida (dedo polegar), Paeonaeus ou Aeonius (dedo indicador), Epimedes (dedo médio), Jasius (dedo anelar) e Idas ( dedo mindinho).
 
Os Dactilus casaram com suas irmãs dando origem aos Curetes, Cabiros e Coribantes. Eles eram os antigos ferreiros que inventaram a arte de trabalhar os metais dando-lhes formas usando o fogo. Assim criaram a bigorna, o martelo, a espada e outras ferramentas. Também eram considerados curandeiros e feiticeiros. 
 
Dos Dactilus originaram todos os nomes das ciências e artes que tem como referência aos dedos, tal como a Dactilogia que é a arte de conversar por meio de sinais feitos com os dedos usada entre os surdos-mudos. Cientificamente os nossos dedos das mãos são chamados de Quirodactilos e Pododactilos os dedos dos pés. Em alguns mitos dizem que dos Dactilus vieram o ensino da metalurgia, matemática e alfabeto para os seres humanos.

Quando Zeus ainda era uma criança, Reia deixou-o aos cuidados dos dáctilos. Para que ninguém ouvisse os choros da criança e descobrisse o seu paradeiro, eles faziam barulho com suas lanças e escudos. E assim Zeus cresceu protegido da fúria de Cronos. Héracles de Ida, o mais velho dos Dáctilos, derrotou seus irmãos numa corrida e foi coroado com um ramo de oliveira, dando origem aos Jogos Olímpicos que passaram a ser dedicados a Zeus.
 
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Na antiguidade, os Jogos Olímpicos faziam parte de um festival religioso e atlético da Grécia Antiga, realizado a cada 4 anos no Templo de Olímpia em honra de Zeus. Situado na região ocidental do Peloponeso, o núcleo de Olímpia era o Áltis, um bosque sagrado. No centro do bosque ficava o templo em estilo dórico que tinha em seu interior uma colossal estátua de Zeus, que era considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
 
Os gregos realizavam competições desde 2500 a.C., mas tradicionalmente considera-se o ano de 776 a.C. como a primeira edição dos Jogos Olímpicos. Os atletas e os treinadores chegavam a Élide com um mês de antecedência para poderem treinar sob supervisão dos juízes. Durante este período os atletas que não eram considerados aptos ou que não atendessem os critérios eram excluídos. Mas se algum juíz não fosse imparcial, era condenado a açoites em local público. Se fosse condenado por suborno, tinha seus bens sequestrados.
 
Muitos atletas pertenciam às classes mais favorecidas e iniciavam o treinamento ainda criança. Eles vinham de todas as partes do mundo grego, sendo vedado aos estrangeiros, mulheres e escravos a participação nos jogos e até mesmo assistir as competições. O campeão de vitórias entre os deuses foi Apolo, que venceu Hermes na corrida e Ares no pungilismo. Por este motivo, a flauta é tocada quando os competidores do pentatlo estão na prova de salto, pois a flauta é sagrada a Apolo.
 
O pentatlo dos antigos Gregos era diferente do pentatlo moderno e consistia no arremeso do disco, do dardo, o salto em comprimento, a corrida de estádio semelhante aos 200 metros e a luta, que nasceu no Próximo Oriente tendo sido adaptada pelos Gregos e nomeado o deus Hermes como seu protetor.  
 
Na Grécia antiga, a prática do pugilato só permitia o uso dos punhos, por isso os competidores envolviam os dedos com tiras couro. Não existia distinção de tempo e nem categoria, apenas provas diferenciadas para homens adultos e rapazes. Na luta grega era necessário derrubar o adversário três vezes para ser vencedor. Os atletas se lambuzavam com azeite e a prova não tinha um tempo limite. Era permitido quebrar os dedos do adversário, mas não era permitido morder, atacar os olhos ou a região genital.
 
O pancrácio era uma combinação da luta e do pugilato, resultando numa prova muito violenta em que os atletas podiam até mesmo morrer. A vitória ocorria quando um dos atletas já não conseguia continuar a lutar ou quando dava sinal de desistência. As competições de corridas consistiam em corridas no estádio, corrida com armas em que os atletas levavam seu capacete e escudo e corridas com as bigas ou quadrigas em volta do hipódromo. As corridas com cavalos não premiava o atleta, mas sim ao dono do cavalo.
 
Os Jogos Olímpicos eram precedidos da cerimônia de juramento dos atletas e dos juízes perante a estátua de Zeus Korkios, o Zeus dos Juramentos, e diante da chama olímpica. Nos dias seguintes ocorriam consultas aos oráculos, palestras de filósofos, recitais de poesia, corridas, lutas, pentaclo, pugilato e pancrácio. Aos vencedores eram oferecidos hinos, festas e banquetes, que eram patrocinados com as carnes do sacrifício de 100 bois oferecidos ao Altar de Zeus.
 
Além da religiosidade, os gregos buscavam através dos Jogos Olímpicos a paz e a harmonia entre as cidades que compunham a civilização grega. O lema olímpico era "Citius, altius, fortius" ou "mais rápido, mais alto e mais forte". Mas no ano de 392 d.C. os Jogos Olímpicos e qualquer manifestação religiosa do politeísmo grego foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I, depois que ele se converteu ao cristianismo.
 
Em 1896 os Jogos Olímpicos foram retomados em Atenas e criado o símbolo da olimpíada com os 5 aros que representam os 5 continentes, tendo como lema a universalidade do espírito olímpico, ética e união através do esporte. Os Jogos Paraolímpicos tiveram início depois da Segunda Guerra Mundial, tendo por objetivo incluir as pessoas que tinham sofrido alguma deficiência física ou mental.
 
Na 1ª Olimpíada da Era Moderna participaram atletas de 13 países, disputando provas de atletismo, esgrima, luta livre, ginástica, halterofilismo, ciclismo, natação e tênis. Os vencedores das provas foram premiados com medalhas de ouro e, conforme a tradição dos Dactilus, com um ramo de oliveira. Dos Jogos Olímpicos podemos tirar uma lição de vida: o mais importante não é vencer, mas participar e usar talentos e habilidades para o bem. 
 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Aiakos, a disposição para recomeçar



Aiakos ou Aeacus era o filho de Zeus e Aegina, que foi levada por Zeus à ilha deserta de Enone depois chamada de Aegina. Sendo um dos filhos preferidos de Zeus, o deus dos deuses tentou fazê-lo imortal, porém as Parcas - que representam o destino - impediram. Aiakos cresceu e fez da ilha um próspero reino, tornando-se famoso por seu senso de justiça e compaixão.  Devido às suas qualidades, ele era convocado em toda a antiga Grécia para presidir os julgamentos.

Porém quando Hera - a esposa de Zeus - descobriu a infidelidade, enviou uma terrível seca e uma praga que dizimou tudo na ilha. A devastação da ilha começou sob um sol escaldante que deixava homens e animais em agonia. Os solos tornaram-se inférteis, os poços e mananciais secaram e a pouca água que restava foi envenada por milhões de serpentes. A ilha foi se transformando num deserto desolador, até que Aiakos suplicou ajuda a seu pai, o rei dos deuses.

Imediatamente ouviu-se um trovão e Zeus fez chover na ilha fazendo cessar o calor e trazendo água pura aos riachos e fontes. Porém era tarde demais, pois toda população e animais tinham perecido. Apesar disso Aiakos se propôs a recomeçar e reconstruir seu reino. Semeou e cuidou das plantações que floresceram formando grandes árvores.

Sentado debaixo de um frondoso carvalho, Aiakos viu uma multidão de formigas ocupadas com seu trabalho subindo o tronco carregando grãos. Sozinho na ilha, Aiakos desejou intensamente ter uma população na ilha tanto quanto aquelas inúmeras formigas. De repente a árvore agitou-se e com um ruído farfalhante atirou ao chão a multidão de formigas que, para a surpresa do rei, começaram a aumentar de tamanho, ficaram eretas e finalmente tomaram a forma humana.

Ávidas para buscar seu alimento e perseverantes na conquista de sua sobrevivência, os homens formigas ou Mirmidones saudaram Aiakos como seu rei. Enchendo o coração do monarca de esperanças, um novo reino começava a ser reconstruído tornando-se novamente próspero. 

Aiakos casou-se com Endeis e foi o pai de Peleu e Telamom, que durante uma competição fingiram ter matado acidentalmente seu meio-irmão Phocus. Por ser justo, Aiakos expulsou seus filhos do reino exilando-os. Depois de sua morte, Aiakos foi designado o juiz das sombras no Érebo junto com os cretenses Minos e Radamantis.

Os Mirmidones ou Mirmidões foram os lendários guerreiros que acompanharam Aquiles à Guerra de Tróia. Embora fossem destemidos e corajosos, sua origem não estava numa raça belicosa e sanguinária, mas na espécie pacífica e laboriosa das formigas, que em grego significa myrmex. 


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O mito de Aiakos serve para refletirmos sobre os tempos de crises que fazem parte da vida. A vida não costuma ser linear. Há tempos de abundância e mordomias, mas podem surgir percalços arruinando tudo o que se construiu ao longo do tempo. De repente, da vida boa cercada de conforto podemos nos ver atolados em dívidas sem saber o que fazer.

Perder um padrão de vida é uma experiência dramática, pois significa deixar de usufruir de muitas coisas que faziam parte do nosso estilo de vida, como ter carros, viagens, divertimentos e lazer. No entanto, depois da experiência traumática não adianta lastimar. Recomeçar depois de um fracasso exige criatividade e aprendizado com os erros. 

A grande questão é como nos sentimos e reagimos diante das incertezas da vida. Há pessoas que lidam mal com as incertezas e tendem a fracassar. Entre esses há os excessivamente cautelosos e medrosos que tem medo de arriscar em novos caminhos como também há aqueles que se arriscam demais. Alguns consideram de vital importância manter as aparências mesmo com o mundo desmoronando ao seu redor, algo que só acaba agravando os problemas.

Ninguém deve se envergonhar de seus tempos de crises, pois isso acontece com muita gente e ninguém está imune aos fracassos. Contar com o apoio de amigos e familiares pode ajudar a superar as dificuldades, desde que estejamos dispostos a reagir positivamente. Existem pessoas que conseguem resolver com sucesso suas incertezas convivendo com elas sem medo, ainda que enfrentem dúvidas. São pessoas que não se deixam paralisar, mesmo sentindo angústia, insegurança, medos e a falta de tranquilidade.

Para certas pessoas importante não é solucionar o problema, mas antes de tudo aprender a controlar o medo e a ansiedade para seguir seu caminho em equilíbrio, o que lhes permite explorar melhor as possibilidades e oportunidades. Elas não se inibem em fazer perguntas, questionam a si mesmas e a quem possa colaborar com elas. Assim como Aiakos que viu na colônia de formigas um exército, pequenas coisas podem se transformar num negócio de sucesso. Basta ter criatividade e disposição para recomeçar... 

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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