domingo, 31 de outubro de 2010

Pleiades, as estrelas que choram



As Plêiades ou Atlântidas eram as encantadoras filhas de Pleione e Atlas, que tinha recebido o castigo imposto por Zeus, de carregar os céus sobre os ombros, por ter se confrontado com Zeus pela supremacia do Olimpo. As Plêiades eram sete irmãs: Maia, Electra, Taígete, Steropo, Mérope, Celeno e Alcíone. De acordo com a lenda, as moças foram raptadas pelo rei Busíris do Egito. Hércules libertou-as, mas a seguir foram perseguidas por Orion que estava fascinado pela beleza das Plêiades.

Órion, era um gigante, filho de Posêidon, e tinha paixão por caçar. Eles se apaixonou por Mérope, uma das Pleiades, que tinha voto de castidade imposto por seu pai. Para escapar da implacável perseguição de Orion, o maior caçador de todos os tempos, as moças foram transformadas numa constelação, composta de sete estrelas, para escaparem do seu pretendente assustador. Atlas apreciava as filhas brilhando no céu enquanto cumpria seu castigo.

Conhecidas como "as irmãs que choram", as Plêiades anunciavam um tempo bom e agradável, quando surgiam , de 22 de abril a 10 de maio, e quando se punham, de 20 de outubro a 11 de novembro, anunciavam mau tempo.


O mito representa as expectativas que os pais colocam sobre os filhos querendo que eles sigam por um caminho ou por uma profissão que não correspondem às suas próprias escolhas. Também representa as imposições que colocamos nos relacionamentos afetivos e sociais não permitindo que os outros sejam como são ou façam suas próprias escolhas.

Atlas não permitiu o romance de Mérope com Orion, e assim preferiu viver longe das filhas vendo-as colocadas brilhando no céu, do que permitir que elas vivessem suas próprias experiências. Por isso, apesar de serem brilhantes, as Plêiades choram e representam a frustração.

sábado, 30 de outubro de 2010

Pegasus e Belorofonte



Pegasus era um cavalo alado símbolo da imortalidade. Sua figura é originária da mitologia grega, presente no mito de Perseu e Medusa. Pégasus nasceu do sangue de Medusa quando ela foi decapitada por Perseu. Com uma patada, Pégasus fêz brotar a fonte Hipocrene, que tornou-se o símbolo da inspiração poética. Quem de suas águas bebesse se tornaria um poeta.

Belorofonte foi adotado por Glauco, da casa governante de Corinto, dono do cavalo alado. Com ajuda de Atena e da rédea de ouro, domou Pegasus. Belorofonte era um herói, filho de Poseídon, e tinha esse nome porque matou involuntariamente seu irmão Belero, chamado de Alcímenes, um tirano da sua cidade natal.

Considerado impuro devido a esta morte, teve de abandonar a cidade e procurar refúgio na corte do rei Preto, que o acolheu e o purificou. Mas Anteia, mulher do Rei Preto tentou seduzi-lo e tendo sido repudiada, foi queixar-se ao marido de que estava sendo assediada.

Agravado pela suposta afronta, o Rei Preto o enviou para a corte de seu sogro Ióbates, com o pedido de que o matasse. Ióbates, contudo, só leu o pedido do seu genro depois de ter recebido Belorofonte como hóspede e ter partilhado com ele uma refeição, logo, segundo a lei sagrada da hospitalidade, não o poderia matar.

Movido pelo desejo de seu genro, Iobates encarregou Belerofonte de várias tarefas das quais muito dificilmente sairia vivo. Encarregou-o de matar o monstro Quimera, que devastava a região, atacando rebanhos. Belerofonte, contudo, com o seu cavalo, voou sobre o monstro e matou Quimera facilmente, com um só golpe.

Ióbates encarregou-o, então, de várias outras tarefas arriscadas, tentando em vão que ele fosse morto. Envia-o em luta contra o povo guerreiro dos Sólimos, mas ele derrota-os e retorna. Novamente o envia para lutar contra as Amazonas, mas ele derrota-as e retorna. Sem saber como se livrar de Belorofonte, Ióbates organiza uma emboscada com alguns dos mais corajosos dos lídios, mas que perecem perante a bravura de Belerofonte.

O rei fica convencido, então, de que Belerofonte só pode ter origem divina e, justificando-se com seu genro, deu-lhe a mão da sua filha, Filonoé ou Anticleia, de quem teria os filhos Isendro e Hipóloco, e Laodamia, mãe de Sarpédon.

Orgulhoso dos seus feitos, decidiu voar até o Olimpo montando Pegasus, mas Zeus, ofendido, enviou uma vespa para picar Pegasus que atirou Belorofonte ao chão. Atena amaciou o chão e ele não morreu mas só conseguia se rastejar, e passou sua vida à procura de Pegasus. Porém Zeus havia transformando o cavalo Pégasus em uma constelação.

Na Constelação de Pegasus está a estrela fixa Markab a 23º Peixes (*), que é considerada de natureza Marte/Mercúrio por Ptolomeu. Simmonite considera de natureza Marte/Vênus; e para Alvidas, tem natureza Júpiter quadrado Mercúrio/ com Saturno desde Peixes e Gêmeos. (*) posição m 2009

Dá honra, riqueza, fortuna, mas também há perigo de febres, cortes, golpes, punhaladas e fogo, e uma morte violenta quando está em aspecto com Sol, Lua, Ascendente e M.C.; ou outras configurações que sejam mais determinantes no mapa natal.


A influência de Markab confere um espírito empreendedor, poder de resolução e mente determinada. Concede amor pelos discursos, bom julgamento, habilidades práticas e muita perícia, e reações rápidas. Provavelmente tenha habilidades precisas de corte ou uma oratória que impressiona, sabendo utilizar as situações a seu favor.

Ligada ao grau do sol indica atração por viagens, talentos artísticos e criativos e sucesso ao tratar com público. A aptidão para negócios pode proporcionar ganhos materiais, que podem vir por meio da habilidade de pensar e agir rapidamente.

Pode ter interesse em seguir uma profissão relacionada à educação superior, espiritualidade, filosofia e literatura. Porém Markat adverte contra a complacência e falta de entusiasmo, que talvez seja necessário superar. As características de irritabilidade, precipitação e ações prematuras, podem causar acidentes.


Referência: Livro "O poder dos aniversários" Saffi Crawford e Geraldine Sullivan

As hespérides e os pomos de ouro



As deusas Hespérides passeiam pelos céus, encarregando-se de iluminar todo o mundo com a luz da tarde. Desta forma, fazem parte do ciclo do dia: Hemera trazia o dia, as Hespérides traziam o entardecer e Nix fechava o ciclo com a noite.

As três Hespérides eram:

* Egle - a Radiante - deusa da luz avermelhada da tarde
* Erítia - a Esplendorosa - deusa do esplendor da tarde
* Hespéra - Crepuscular - deusa do crepúsculo vespertino.

As Hespérides possuiam atributos semelhantes aos das Horas que presidem as estações do ano e também das Cárites ou Graças. Junto de Hemera (o Dia), compunham o séquito de Hélios (o Sol), de Eos (a Aurora) e de Selene (a Lua). Iluminavam o palco e maestravam a dança das Horas, de quem se tornaram companheiras.

As Hespérides cantavam em coro com voz maravilhosa junto às nascentes sussurrantes que exalam ambrósia e costumavam
ocultar-se através de súbitas metamorfoses. Também chamadas de ninfas do poente, habitavam o extremo Ocidente e tinham o dom da profecia. Eram belas, jubilosas e simbolizavam a fertilidade do solo. Moravam em um belo palácio, no Monte Atlas e bem à frente do jardim das árvores dos pomos ou maçãs de ouro.

Há varias versões sobre sua paternidade. Uma versão diz que elas são filhas de Zeus e Têmis; outra diz que descendem de Fórcis e Ceto. A interpretação evemerista diz que Hésperos, o astro da tarde, teria tido uma filha chamada Hespéride, que junto de Atlas, seu tio, deu à luz às ninfas Hespérides. Na Teogonia de Hesiodo elas são filhas de Nix (noite) e Erebus (escuridão).

Segundo Evêmero, as ninfas Hespérides são sete donzelas: Aretusa ou Hesperaretusa, Hespéria, Hespéris, Egéria, Clete, Ciparissa e Cinosura. As ninfas possuíam o dom de controlar a vontade de feras selvagens e eram consideradas guardiãs da ordem natural, das fronteiras entre o dia e a noite, dos tesouros dos deuses e também das fronteiras entre os três mundos - a Terra, o paraíso e o mundo subterrâneo.

O jardim das Hespérides era conhecido como Jardim dos imortais, pois continha um pomar que abrigava árvores mágicas de onde nasciam os pomos de ouro, considerados fontes de juventude eterna e era considerado o mais belo de toda a antiguidade. Quando Hera se casou com Zeus, recebeu de Gaia como presente de núpcias algumas maçãs de ouro. Também foi desse jardim a maçã da discórdia atirada por Éris, que deu origem à disputa entre as deusas.

Para chegar até o jardim havia muitos obstáculos: a gruta das Gréias e a gruta das Górgonas. O próprio jardim era povoado de
monstros que o protegiam, como o terrível Ládon, o dragão de 100 cabeças. Somente dois herois mortais encontraram os jardins das Hespérides: Perseu quando fora enfrentar Medusa e Héracles.

Em uma versão, o rei do Egito Busíris, vizinho do reino das Hespérides, mandou raptar as ninfas e devastar os jardins.
Quando Héracles chegou ao país, libertou as Hespérides e entregou-as a Atlas. Como recompensa, Atlas lhe deu as maçãs de ouro e lhe ensinou a Astronomia. Na interpretação evemerista Atlas foi considerado como o primeiro astrônomo, e por isso conhecia o caminho das estrelas, dando o seu nome à coleção de mapas da terra.

Atlas e o excesso de tarefas



Atlas, também chamado Atlante, era um dos filhos dos titãs Japeto e Climene, irmão de Prometeu, e pertencia à geração divina dos seres desproporcionais, monstruosos, a encarnação de forças da natureza que atuava preparando a terra para receber a vida e os humanos.

Juntando-se a outros titãs, forças do caos e da desordem, pretendiam alcançar o poder
supremo e atacaram o Olimpo, combatendo ferozmente Zeus e seus aliados, que eram as energias do espírito, da ordem e do Cosmos. Zeus trinfou e castigou seus inimigos - que eram escravos da matéria e dos sentidos, inimigos da espiritualização, lançando-os ao Tártaro.

Porém para
Atlas deu-lhe o castigo de sustentar para sempre nos ombros, o céu. Seu nome passou a significar "portador" ou "sofredor". Assim punido, passou a morar no país das Hespérides, as três ninfas do Poente: Eagle, Eritia, Hesperatetusa.

Nas terras das Hespérides, Ninfas do Poente, estavam plantadas as maçãs de ouro,
que tinham sido o presente de casamento, oferecido pela Terra, nas bodas de Zeus e Hera. A deusa as plantara no jardim dos deuses e, para proteger a árvore e os frutos, deixara sob a guarda de um dragão de cem cabeças e das três ninfas do Poente.

Hércules em seus 12
trabalhos fora incumbido de trazer as maçãs de ouro, porém soube que somente Atlas conseguiria colhê-las. Hércules se propôs a segurar o céu enquanto Atlas colhia as maçãs e ele esperava entregar pessoalmente a Eristeu. Porém, Hércules o enganou, pedindo-lhe para voltar a segurar o céu enquanto ele guardava as maçãs, e fugiu. Por esse motivo, foram construidos os pilares de Hércules e Atlas foi libertado do seu fardo.

Atlas passou a ser o guardião dos Pilares de Hércules, sobre os quais os céus foram
colocados, e que também eram a passagem para o lar oceânico de Atlântida - o Estreito de Gibraltar, e por isso toda a cordilheira do norte da África, recebeu o nome de Cordilheira de Atlas. Tornou-se o primeiro rei de Atlântida, e por ser o Senhor das águas distantes, além do Mar Mediterrãneo, seu nome nomeou o oceano Atlântico.

Casou-se com Pleione, tendo sete filhas,
as Pleiades: Alcyone, Maia, Electra, Merope, Taigete, Celeno e Sterope. Por conhecer o caminho das terras distantes, na cartografia, passou a representar a coleção de mapas da Terra. E por ter sustentado o céu, deu-se o nome de Atlas à 1a. vertebra da coluna cervical - uma referência onde suportava o gigantesco peso a que fora condenado a suportar.

O mito de Atlas representa o peso das dificuldades cotidianas que pesam sobre nossos ombros
e, embora possamos considerar que sejam pesados demais, o que está sobre Atlas, a 1a. vertebra da coluna cervical, é apenas a nossa cabeça, que guarda a nossa mente.

O mito está relacionado ao excesso de incumbências, obrigações, tarefas que aceitamos e não obedecemos a um limite, e nem resguardamos um espaço para atividades relaxantes. Cremos que podemos carregar o mundo nas costas, o que pode causar danos físicos e psicológicos. O complexo de Atlas é uma das doenças relacionadas ao stress da vida moderna.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Perseu e a Medusa



Acrísio, rei de Argos, era pai de Dânae, uma linda moça, mas estava desapontado por não ter um filho. Quando consultou o oráculo sobre a ausência de um herdeiro homem, ele recebeu a informação que nunca geraria um filho, mas no futuro teria um neto, cujo destino era matar o avô.

Acrísio tomou medidas extremas para fugir deste destino e isolou Dânae no topo de uma torre de bronze. Ela
permanecia em total reclusão até que um dia Zeus veio visitá-la na forma de uma chuva de ouro. Dânae deu à luz a Perseu, mas Acrísio ainda tinha esperanças de evitar o destino. Mandou construir uma grande arca, colocou Dânae e seu filho dentro e lançou-os ao mar.

Lançada pelas ondas, a arca chegou às praias de Sérifo, uma das ilhas das Ciclades. Dânae e Perseu foram cuidados por um honesto pescador, Dictis, irmão do rei de Sérifo, Polidectes, um homem inescrupuloso. Com o passar do tempo, Polidectes apaixonou-se por Dânae, mas Dictis protegia Dânae das investidas do rei, enquanto Perseu crescia.

Certo dia, durante um banquete, Polidectes pediu presentes aos seus convidados. Uns prometeram lhe dar cavalos,
outros ofereceram jóias, mas Perseu ofereceu-se a trazer a cabeça da Górgone, a Medusa. Todos que prometiam tinham de honrar e cumprir sua promessa. Polidectes aceitou a oferta pensando que assim se livraria de Perseu e poderia conquistar sua mãe Dânae.

As górgones eram três, monstruosas criaturas aladas com cabelos de serpentes. Duas eram imortais mas a Medusa era
mortal e potencialmente vulnerável. No entanto, ela transformava em pedra todos que a olhasse em seus olhos. Hermes mostrou a Perseu o caminho das Gréias, três velhas irmãs que compartilhavam um olho e um dente entre si, e instruído por Hermes, Perseu conseguiu se apoderar do olho e do dente, recusando-se a devolvê-los até que as Gréias mostrassem o caminho até as Ninfas, que lhe dariam tudo o que necessitava para lidar com Medusa.

As Ninfas deram-lhe uma capa de escuridão que permitiria a Perseu pegar a Medusa de surpresa, botas aladas para
facilitar sua fuga e uma bolsa especial para colocar a cabeça após tê-la decepado. Hermes lhe deu uma foice, e assim Perseu seguiu para encontrar Medusa.

Ao encontrá-la, Perseu a viu através de seu escudo brilhante evitando olhar para
ela; e quando ela se aproximava, Perseu cortou-lhe a cabeça. Acomodando a cabeça da Medusa em sua bolsa, retornou rapidamente a Sérifo, auxiliado por suas botas aladas. Mas ao sobrevoar a costa da Etiópia, Perseu viu abaixo uma linda princesa atada numa rocha. Era Andrômeda, que sua fútil mãe Cassiopéia que ao dizer que era mais bonita do que as filhas do deus do mar Nereu, fêz surgir a ira de Posidon.

Para
puni-la, Posídon enviou um monstro marinho para devastar o reino, e isto só poderia ser evitado se fosse oferecido a filha da rainha, Andrômeda, que assim foi colocada na orla marítima para esperar o terrível destino. Perseu matou o monstro marinho e libertou a princesa.

Os pais dela, em júbilo, ofereceram Andrômeda como esposa a
Perseu e os dois seguiram na jornada para Sérifo. Polidectes não acreditava que Perseu tivesse conseguido, e quando quis ver cabeça da Medusa, olhou em seus olhos e se tornou petrificado sob o olhar da cabeça da górgone.

Perseu, Dânae e Andrômeda seguiram juntos para Argos, onde esperavam se reconciliar com o velho rei Acrísio. Mas
qu ando Acrísio soube da visita, fugiu da presença ameaçadora de seu neto, indo para a Tessália. No entanto, o destino os fêz encontrar nos jogos fúnebres do rei de Larissa. Eles não se conheciam, e quando Perseu atirou um disco, este se desviou e atingiu Acrisio entre os espectadores, matando-o. A previsão do oráculo se realizou...

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O mito de Perseu e a Medusa representa os medos e temores que carregamos em nós e que nos recusamos a reconhecê-los e enfrentá-los, com a esperança de que podemos fugir deles indo para algum lugar, até que, inconscientemente, atraimos situações que nos colocam frente a frente com esses medos. E por não tê-los reconhecidos e enfrentados, inevitavelmente atrairemos para nossas vidas, o que mais tememos.

Todos nós temos algum temor: medo de perder, medo de não ser amado, medo de amar e não ser correspondido, medo de dentista, medo de ratos, medos... medos... Para enfrentá-los precisamos de coragem; não ter medo de nossos medos. O segredo está em nós mesmos; devemos nos olhar sem medo de nos ver interiormente e também externamente.

Cada detalhe do nosso rosto, do nosso corpo, são digitais únicas; não há ninguém, em todo o universo, que seja igual. Não devemos temer estar sozinhos, de termos somente nossa própria companhia. Precisamos experimentar novas coisas, novos sabores e nos dar novas oportunidades. Somos perfeitos, não precisamos de ter medo; porque a coragem também está viva em nós.

Coragem não é a ausência do medo, mas sim a capacidade de avançar, apesar do medo; é caminhar para frente e enfre
ntar as adversidades. Não podemos nos deixar derrotar, nos entregarmos por causa dos medos, senão, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Hades



As escassas referências a Hades nas lendas gregas, em comparação aos outros grandes deuses, revelam o temor que essa divindade infundia ao povo. Hades era filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e de Poseidon. Depois que Cronos foi destronado por Zeus, o reino foi dividido, cabendo a Hades, o mundo subterrâneo e das riquezas.

A passagem mitológica mais conhecida envolvendo o deus Hades é quando rapta Perséfone ou Corè, filha da deusa Deméter, e a leva para viver com ele no mundo subterrâneo, tornando-a sua esposa. Hades reinava em companhia da rainha Perséfone, sobre as forças infernais e sobre os mortos. Poucos tinham acesso ao reino de Hades, e o único Deus que tinha permissão para entrar no reino era Hermes, o mensageiro dos deuses, que com seu caduceu dourado, convocava os moribundos para o reino dos mortos. Ele trafegava entre o mundo divino, o mundo humano e o mundo dos mortos.

Como o deus dos infernos era ajudado por outras divindades, Hécate, as Fúrias, as Parcas ou Moiras, as Harpias, Tanatos, o Hipnos e as Górgonas. Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo, distante e extremamente temido, pois em seu reino sempre havia lugar para mais uma alma.

Em algum lugar na escuridão do mundo subterrâneo estava localizado seu palácio, representado como um lugar lúgubre, escuro e repleto de portões e de convidados do deus, em meio a campos sombrios e uma paisagem assombrosa. O velho barqueiro Caronte conduzia as almas dos mortos através do sinistro rio de águas paradas Estige, até a entrada do reino, habitado por formas vagas e sombrias, cuja entrada era cuidadosamente guardada por Cérbero, um monstruoso cão de três cabeças e cauda de dragão, que não deixava as almas saírem do reino.

O nome Hades era usado para designar tanto o deus como os seus domínios, um submundo dividido em regiões. Primeiro o Érebo, por onde as pessoas passavam imediatamente após a morte, para serem julgadas, e receber o castigo dos seus crimes ou a recompensa das boas ações. Neste Tribunal, embora supervisionasse o julgamento e a punição dos condenados após a morte, Hades não era um dos juízes e nem torturava pessoalmente os culpados, tarefa que eram incumbidas às Erínias, antes das almas chegarem ao Tártaro.

Hades eram auxiliado por Minos, Éaco e Radamanto. Se as almas fossem condenadas eram atiradas ao Tártaro, a região mais profunda, onde habitavam as almas maléficas que sofreriam pela eternidade. Se absolvidas eram encaminhadas aos Campos Elísios ou Ilha dos Bem Aventurados, onde moravam as almas dos heróis, santos sacerdotes e poetas e onde eram ajudadas por dois deuses: Tânatos, o deus da morte, e Hipnos, o deus do sono.

Em lendas também descreviam Hades como o lugar onde os bons eram recompensados e os maus punidos. Seu nome significa, em grego, o Invisível, e era geralmente representado com o capacete que lhe dava essa faculdade, que ele ganhou dos ciclopes quando participou da luta contra o pai e os titãs.

Com o tempo passou a ser considerado o distribuidor de riqueza, apresentando assim um lado bom, pois era ele quem propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos. Como divindade agrícola, eram-lhe consagrados o narciso e o cipreste e seu nome estava ligado a Ceres e junto com ela celebrava nos Mistérios de Êleusis que eram os ritos comemorativos da fertilidade, das colheitas e das estações.

Invocava-se Hades geralmente por meio de eufemismos, como Clímeno - o Ilustre ou Eubuleu - o que dá bons conselhos. O nome Plutão - o rico ou distribuidor de riqueza - se tornou usual quando os romanos submetem os gregos.


Hades configura a finalização definitiva de um ciclo. Sempre quando mudamos, uma nova atitude ou novas circunstâncias podem ocorrer, e morrendo a postura antiga, jamais retorna à sua forma original. Hades é o símbolo do que experimentamos quando ocorrem uma finalização: o luto e a dor, que são necessários para que possamos iniciar um novo ciclo.

Hades é o estágio intermediário onde somos colocados face-a-face com a nossa irrestibilidade diante da perda, antes de termos a sensação de que algo novo irá começar. E muitas vezes, o que perdemos, pode significar uma alegria: perdemos a liberdade da vida de solteiro quando nos casamos; quando nos tornamos pais, sabemos que iremos perder noites de sono ou sacrificar algum lazer mas teremos as alegrias de um filho nos braços. Porque tais acontecimentos não significam apenas o início de algo novo, mas indicam a morte de um antigo estilo de vida.

As despedidas de solteiro representam bem essa condição, lamentamos a perda de um estado civil ao adquirir uma nova condição de vida. Existe uma condição que ocorre com algumas mulheres; a depressão que acompanha a fase pós-parto.

Esse é o preço que pagamos a Hades em todos os finais antes de um novo começo. E a finalização é tão importante quanto o começo, e assim devem ser sentidos e reconhecidos. Nas finalizações temos de nos despir pois não podemos levar conosco os antigos padrões de comportamento e posturas que nos davam segurança; e darmos início a algo, apesar de nossa insegurança.

Através dos olhos de Hades a vida pode ser encarada como uma contínua morte de todos os dias, que se inicia quando perdemos o conforto do útero materno; assim como a infância dá lugar à adolescência; e a despeito de querermos mantê-la teremos de aceitar que passaremos pela vida adulta e chegaremos à maturidade. E todas as situações, relacionamentos e contratos, tem os seus ciclos, já que o mundo está em constante movimento nas mãos de Hades que nos cobra o tributo, de abandonarmos uma fase para poder seguir em frente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Guerra de Tróia



A Guerra de Tróia foi um conflito bélico entre Aqueus, um dos povos gregos que habitavam a Grécia Antiga, e os Troianos que habitavam uma região da atual Turquia. Esta guerra, que durou aproximadamente 10 anos, aconteceu entre 1300 e 1200 a.C. Tudo teve início quando Éris, a deusa da discórdia, foi vingativa por não ter sido convidada à festa e lançou o Pomo da Discórdia, uma maçã dourada que tinha uma inscrição dirigida à mais bela das deusas presentes, durante o casamento de Tétis e Peleu.

Isto fêz com que Hera, Afrodite e Atena disputassem um concurso entre elas para saber quem era a mais bela. Páris foi designado para ser o juiz do concurso e a partir disso, cada uma das deusas tentou comprar o julgamento de Paris com uma diferente propina. A deusa Hera prometeu ao humano poder infinito; Atena ofereceu saúde e longevidade. No entanto, o troiano cedeu à proposta de Afrodite que lhe concederia o amor da mais bela mulher do mundo.


Páris era filho do rei Príamo de Tróia, e quando Páris foi a Esparta na Grécia em missão diplomática, acabou apaixonando-se por Helena.
Gregos e troianos entraram em guerra por causa de Páris ter raptado a princesa Helena que tinha a reputação de ser a mulher mais bela do mundo e era esposa do lendário Rei Menelau.

O rapto deixou Menelau enfurecido, fazendo com que organizasse um poderoso exército. O general Agamenon, irmão de Menelau, foi designado para comandar o ataque aos troianos. Usando o mar Egeu como rota, mais de mil navios foram enviados para Tróia. O cerco grego a Tróia durou cerca de 10 anos e vários soldados foram mortos, entre eles os heróis gregos Heitor e Aquiles, que morreu após ser atingido em seu ponto fraco, o calcanhar.

Os troianos tinham a proteção de uma enorme muralha que os protegia.
Odisseu, também chamado de Ulisses, foi quem apresentou Menelau como pretendente de Helena e assim se tornaram amigos. A guerra terminou após a execução de um grande plano do guerreiro grego Odisseu. Sua idéia foi enviar aos troianos um grande cavalo de madeira.

Os inimigos troianos pensavam que os gregos tinha desistido da guerra e conduziram o enorme cavalo para dentro de seus muros protetores. Após uma noite de muita comemoração, os troianos foram dormir exaustos. Neste momento, abriram-se portas no cavalo de madeira de onde saíram centenas de soldados gregos. Estes abriram as portas da cidade para que os gregos entrassem e atacassem a cidade de Tróia até sua destruição.


Vide: Mito de Odisseu ou Ulisses - clique aqui

Durante muitos séculos acreditava-se que a Guerra de Tróia fosse apenas mais um dos mitos da mitologia grega. Porém, com a descoberta e estudo de um sítio arqueológico na Turquia, pode-se comprovar que realmente ocorreu este importante fato histórico da antiguidade.
O episódio da Guerra de Tróia deu origem ao termo " presente de grego ", significando que um presente ou uma oferta traz prejuízo ou aborrecimentos a quem a recebe.

O mito da Guerra de Tróia nos faz refletir como um pequeno ato imprudente, motivado pelo sentimento de vingança, pode dar causa a proporções jamais presumidas. Por um capricho, Éris causou uma guerra entre cidades inteiras. Assim também, podemos causar um grande dano quando criamos uma tempestade em um copo d'agua, por pequenas coisas.

Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo. Quem busca vingança deseja forçar que o outro passe pela mesma situação ou uma situação diferente, mas que o fira igualmente, de tal modo que o ofensor não repita a ação que deu causa à vingança.

A ética da vingança é acaloradamente debatida na filosofia. Alguns acreditam que ela é necessária para se manter uma sociedade justa. Em algumas culturas, acredita-se que a vingança deva ser maior do que o ato que lhe deu causa, como forma de punição. No entanto, nenhuma vingança é capaz de apagar qualquer ofensa e pode tornar-se muito mais grave. Dois erros não fazem um acerto.

A vingança é um tema abordado desde que a criação do mundo, e se faz presente em diversas culturas desde as antigas civilizações. Os sábios chineses tem uma visão bem diferente, pois apesar do sentimento de vingança, eles crêem que a própria vida se encarrega de fazer a justiça, sem nenhuma interferência de nossa parte. Diz o provérbio chinês:

" Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo. Antes de qualquer ação, reflita por alguns minutos. Isso pode evitar cem anos de arrependimento!
"

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Apolo, deus da luz física e espiritual



Apolo foi uma das principais divindades da mitologia greco-romana, e um dos principais deuses olimpicos. Filho de Zeus e da titanide Leto, irmão gêmeo de Ártemis, possuia muitos atributos e funções. Depois de Zeus, era o mais influente e venerado de todos os deuses da Antiguidade Clássica. Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, tendo sido rejeitado por alguns ou alguma tragédia interrompia o romance.

Apolo era sinônimo de luz física e espiritual. Era tido como eternamente jovem e de beleza sem igual entre os Deuses. Apolo era o mais belo dos deuses, senhor das artes, música e medicina. Exímio arqueiro e com tantos predicados, Apolo acreditava que suas flechas fossem mais poderosas que as flechas do Cúpido, porém o Cúpido lhe advertiu, que as flechas de Apolo poderiam ferir, porém suas flechas tinham uma força poderosa.

Para provar seu poder, o Cúpido disparou uma flecha de ouro no coração de Apolo e ele se tornou perdidamente apaixonado pela ninfa Dafne; mas no coração de Dafne o Cúpido disparou uma flecha de chumbo; isto fêz com que Dafne rejeitasse Apolo, embora ele sempre a perseguisse.

Dafne era filha do Deus Rio Peneu e pediu ao pai que a ajudasse a se livrar de Apolo. Atendendo ao pedido, Peneu transformou a filha em uma planta, o loureiro. Inconformado com a perda da amada, Apolo passou a usar uma coroa com as folhas de louro, que se tornou seu símbolo para sempre e passou a ser oferecida aos vencedores dos jogos.

Hermes era seu irmão, filho de Zeus e da ninfa Maia, uma das Pleiades. Hermes e Apolo disputaram o amor de Quione, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou seus lábios de Quione com o caduceu, a fêz dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de uma velha, penetrou no quarto de Quione e a amou também.

Dessas uniões, Quione concebeu Autólico, filho de Hermes; e Filamon, filho de Apolo. Porém Quione se sentiu mais bela que Ártemis, deusa da vida selvagem e da caça, e era írmã gêmea de Apolo. Injuriada, Ártemis a matou. O pai de Quione, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas Apolo o transformou em uma águia feroz.

Apolo gerou com Corônis o filho Asclépio, que se tornou um mestre na arte de curar e ressuscitar os mortos. Com isso, Asclépio ameaçava o poder soberano de Zeus, e causava insatisfação em outros deuses, pois os mortos nas guerras sempre retornavam, roubando os súditos de Hades. Por isso, Asclépio foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se de Zeus, como não podia voltar-se contra seu pai, Apolo matou os Cíclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado.

Apolo foi condenado a um ano de trabalhos forçados junto ao rei mortal Admeto. Sendo bem tratado pelo rei durante sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa a que o destino lhe reservara. Além disso, ensinava a música, a dança, as artes e ofícios, os jogos atléticos, a caça e a percepção da natureza e da própria beleza aos mortais. Os deuses vendo que Apolo tornava muito aprazível a vida dos mortais, resolveram levar Apolo novamente ao Olimpo.

Retornando, Apolo se apaixonou pela princesa troiana Cassandra e a presenteou com o dom da profecia. Mas Cassandra o repudiou e Apolo a puniu fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora suas profecias se revelassem sempre verdadeiras posteriormente.

Hermes, seu irmão por parte de Zeus, roubou-lhe o gado. Apolo o acusou mas vendo Hermes tocar uma lira, ficou encantado e trocou o gado pela lira. Mais tarde Hermes inventou uma flauta, que Apolo também desejou para si, mas em troca Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia. Apolo concordou, e deu ainda para Hermes seu cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético.

Após esse episódio, Apolo se apegou ao jovem Jacinto, que o acompanhava em todas as atividades físicas, negligenciando suas flechas e liras por causa de Jacinto. Certa vez Apolo e Jacinto estavam a lançar discos, e Apolo lançou o primeiro com muita força e precisão, tipicamente de um deus. Jacinto correu para alcançar o disco. Porém, Zéfiro - o Vento Oeste - que fora rejeitado por Jacinto, soprou o disco em direção a Jacinto, que veio a atingir sua cabeça.

Apolo correu para tentar ajudar seu amigo, mas percebeu que ele tinha morrido. Declarando seu amor a Jacinto, e inconformado com a perda, as musas sentiram pena de Apolo e fizeram que do sangue de Jacinto, surgisse uma bela flor, o Jacinto.
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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