sábado, 11 de junho de 2011

Zéfiro, o vento das brisas suaves



Zéfiro, o vento Oeste, era irmão de Bóreas e habitava na Trácia. A lenda descreve-o como um vento primitivamente violento, que destruía tudo com o seu sopro indomável: arrasava plantações, provocava naufrágios, causava grandes danos aos homens mas uma grande paixão o fêz mudar.

A súbita paixão de Zéfiro por Clóris - chamada de Flora pelos romanos - transformaou o caráter mitológico do vento
dando-lhe uma versão benéfica. Clóris era a rainha da primavera e era quem espalhava a beleza das flores ao mundo, dando-lhes as cores e o perfume. O contraste com Zéfiro, o vento que destruia a beleza das flores, fêz com que Cloris o rejeitasse.

Mas o amor de Zéfiro era sincero, pleno e construtivo. Para conquistar Clóris, ele transformou a sua
personalidade tempestuosa e destrutiva, tornando-se um vento suave que soprava lentamente para não danificar a beleza criada por sua amada. Representado na forma de um jovem com asas que anunciava a primavera e o renascer das plantas, Zéfiro e Clóris tiveram um filho, Carpo - o fruto.

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O mito de Zéfiro e Clóris reflete o equilíbrio da natureza. O vento suave não destrói as flores e leva o seu pólen, fazendo com que fecunde e renasça em outra vegetação. Zéfiro passa a ser o vento dos namorados. Foi Zéfiro quem conduziu Psiquê ao palácio de Eros, o encontro entre o Amor e Alma. E também foi Zéfiro quem fêz emergir Afrodite, a deusa do amor e da beleza. das espumas do mar soprando-a e conduzindo-a suavemente até a ilha de Chipre.

Zéfiro é o vento do Ocidente, aquele que ameniza o clima grego, vivificando a natureza. Na estrada entre Atenas e
Elêusis, era venerado como uma entidade fecundadora. É representado com uma fisionomia serena e terna, trazendo asas, muitas vezes em forma de asas de borboletas e coroas coloridas nas mãos. Em Roma, Zéfiro era venerado ao lado de sua mulher Flora. As festas Florais celebravam a primavera em Roma.

O mito mostra a transformação que o amor pode causar nas pessoas. O amor é a força que faz mover os corações dos seres apaixonados. O amor humaniza, torna as pessoas mais sensíveis, mais graciosas, mais bonitas por dentro e por fora. Só quem ama pode ver e sentir as benéficas transformações que acontecem em todo o seu ser. Talvez Zéfiro tenha compreendido que o pior destino era viver e morrer sozinho, sem amar e sem ser amado. O poder do amor e da sua vontade o transformaram.

O amor tem o poder de mudar os pensamentos e atitudes porque traz uma outra visão do mundo. As pessoas
apaixonadas conseguem ver o mundo mais colorido e alegre. Até os dias cinzentos desaparecem. O bom humor se faz presente e o otimismo se torna mais forte. todos os problemas parecem menores e tudo se torna mais leve.

A real
mudança acontece internamente. O amor tem força extraordinária; não há ninguém imune à sua ação. Quando ele se manifesta, salva vidas, alimenta outras e tem o poder de transformar pessoas tidas como más em renovadas criaturas.

O amor sempre esteve presente em toda a história da humanidade como propulsor de grandes transformações, deixando verdadeiras lições de vida que foram passadas de geração em geração no decorrer de toda a nossa existência. Ensinamentos que nos trouxeram sabedoria e conquistas, sobretudo nas relações, possibilitando a proximidade entre os povos e a valorização do ser humano.

O amor puro e verdadeiro não admite a corrupção, a mentira, a banalização da vida, nem a venda ou troca de
interesses. Para amar deve-se buscar o oposto, mostrar que a essência do viver pulsa, que há esperança. O amor é a chave para a felicidade com a simplicidade, a caridade e a compaixão que podem refletir uma vida plena e a tão sonhada paz de espírito.

Estamos acostumados a viver em um mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. E a ação traz uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. Quando uma pessoa se abre para o amor verdadeiro, ela passa a enxergar o outro como um irmão. Não vê diferenças. Os preconceitos se quebram e o que prevalece é a vontade de compreender aquela realidade e poder oferecer a si como ferramenta para melhorar o que nela for preciso. E o mais importante: sem esperar nada em troca, não precisa de reciprocidade.

Quando se exercita o amor, aprende-se a viver com mais tolerância, bondade. perdão e humildade. É possível até
mesmo vencer os próprios limites e fazer disso uma lição de vida para outros, como diz o hino da caridade:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar
e conheça todos os mistérios e toda a ciência;
ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes,
se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres

e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado,

se não tiver amor, nada disso me aproveitará.


O amor é paciente, é benigno;
o amor não arde em ciúmes,
não se ufana, não se ensoberbece,
não se conduz inconvenientemente,
não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba...

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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