sábado, 23 de março de 2024

Deusas gregas e os sete arquétipos femininos

 


Um arquétipo de personalidade pode ser descrito como um conjunto de comportamentos comuns que existem em nosso subconsciente coletivo. O conceito foi desenvolvido pela primeira vez pelo psicanalista Carl Jung no século 19. 

Quando escreveu sobre essas representações, Jung sugeriu que havia quatro arquétipos que poderiam ser usados para descrever as mulheres: a Donzela, a Mãe, a Mulher Selvagem e a Anciã. 

Na década de 1990, o psiquiatra e seguidor de Jung, Jean Shinoda Bolen, expandiu esse modelo e descreveu sete arquétipos femininos baseados nos hábitos e traços de caráter de deusas gregas associadas, e o que eles revelam sobre a sua força interior.

Na realidade, somos todos únicos e os arquétipos se manifestam de maneira ligeiramente diferente de pessoa para pessoa. Dito isto, muitas podem acumular parte de um e de outro arquétipo, mas a maioria das pessoas se identificará mais fortemente com um dos perfis listados. Qual dos arquétipos mais combina com você?



A Mãe / Deméter - Deusa da Colheita.

O primeiro é o arquétipo da Mãe. Descrita como carinhosa, compassiva e movida pelo coração e não pela cabeça. Na mitologia grega esse arquétipo é representado por Deméter, Deusa da Colheita. Exemplos na cultura popular atual incluem celebridades, como Iyanla Vanzant e Princesa Diana. 

O lado positivo da Mãe é que ela ama incondicionalmente, assim como as mães amam seus filhos. Mas ela não precisa necessariamente ter filhos para se mostrar assim. 

O lado sombrio desse arquétipo é que ela tende a colocar as necessidades dos outros acima das suas necessidades, o que pode significar que ela tem a propensão a negligenciar a si mesma. Muitas vezes se dedica demais e acaba sofrendo pela ingratidão.



A Donzela / Perséfone -Deusa da Primavera

O próximo arquétipo é a Donzela. Seus principais traços são a inocência, intuição e tendência a ser muito m idealista. A representação mitológica da Donzela é Perséfone, Deusa da Primavera. Exemplos do mundo real incluem nomes como a atriz Shirley Temple e a atriz e dançarina Josephine Baker.

 O lado bom da figura da Donzela é que ela tem uma atitude muito lúdica perante a vida. Ela está sempre pronta para se adaptar e é ótima para aprender coisas novas. 

Seu lado sombrio é que ela às vezes é inocente demais e pode ser capturada por arquétipos fortes. Alguns podem acusá-la de se recusar a crescer e amadurecer.



Amante / Afrodite, Deusa da Beleza 

Outro arquétipo é a Amante. Conhecida por ser muito atraente e sensual, além de bastante emocional, não é novidade que este arquétipo é representado por Afrodite, Deusa da Beleza. No mundo real aparece em Marilyn Monroe ou Rihanna. 

O lado positivo do é que sabe atrair os outros e isso lhe confere um ar de confiança invejável. Por outro lado, a Amante busca constantemente validação externa. Ela pode achar difícil se comprometer e às vezes é muito emotiva.



A Mística / Héstia, Deusa do Coração

A Mística é introvertida e calma. Tende a passar a maior parte do tempo focada em seu interior. Este arquétipo se sente mais confortável na solidão e no silêncio. 

Na mitologia grega, a mulher mística é Héstia, Deusa do Coração. Na cultura pop, essa figura é personificada por pessoas como a cantora Sade e a atriz Angelina Jolie. 

Em seu lado positivo possui uma aura de paz, que irradia e é perceptível aos outros. Ela faz com que todos ao seu redor se sintam tranquilos e é altamente autoconsciente. 

Do seu lado sombrio, a tendência deste arquétipo de se afastar dos outros e habitar o seu próprio mundo pacífico pode tornar difícil para ela formar relacionamentos adequados.



A Caçadora / Ártemis, Deusa da Caça

A próxima é a Caçadora. Este arquétipo é autossuficiente, de espírito livre e extremamente independente. Ela tem espírito de guerreira e força infinita para superar obstáculos. 

A representação mítica da Caçadora é, sem surpresa, Ártemis, Deusa da Caça. Na cultura pop, nossas caçadoras incluem a Mulher-Maravilha e a estrela do tênis Serena Williams. 

Em seu lado positivo ela é destemida e corajosa. Ela está mais do que pronta para enfrentar quaisquer desafios que a vida lhe apresente. 

A desvantagem disso é que a Caçadora pode ter dificuldades quando se trata de acessar suas emoções e ser vulnerável. Isso pode dificultar a aproximação dela com outras pessoas.



 A Rainha / Hera, Deusa do Casamento

A Rainha é descrita como extrovertida, ambiciosa e que exala confiança. Ela entende a importância de relacionamentos duradouros e é extremamente leal. A representação mítica da Rainha é Hera, Deusa do Casamento. 

Para modelos de Rainha da vida real, procure nomes como Beyoncé, Elizabeth Taylor e Kim Kardashian. 

O melhor da Rainha é que ela é muito confiante e por isso está sempre pronta para assumir o comando. Ela é uma líder nata. Porém ela tende a ficar ciumenta e/ou mesquinha quando se sente insegura.



A Sábia / Atena, Deusa da sabedoria 

Finalmente, temos o arquétipo da Sábia. Os três principais adjetivos desta mulher são a honestidade, perspicácia e lógica. 

Na mitologia grega essa mulher é encarnada por Atena, Deusa da Sabedoria. Nossas sábias da cultura pop incluem Oprah Winfrey, Martha Stewart e Michelle Obama.

O lado positivo. a Sábia sempre fala a sua verdade e está consciente do seu próprio poder. Ela está mais do que pronta para se concentrar no crescimento pessoal. 

O lado sombrio da Sábia é que às vezes ela pode ter dificuldade para viver o momento, quanto para mostrar empatia real pelos outros.



sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

As Três Graças ou Carites

 


As Cárites ou Três Graças, eram musas do encanto, da beleza, da natureza, da criatividade humana e da fertilidade, que dançavam juntas à luz da Lua. Habitualmente eram consideradas três: a menor Aglaya, representava o esplendor e beleza. Eufrósine era aquela que alegra o coração e Talía, aquela que faz florescer.

As Cárites também estavam associadas com o inframundo e os mistérios eleusinos. O rio Cefiso estava consagrado a elas e tinham suas próprias 
festividades, as Caritesias ou Carisias. Elas presidiam sobre os banquetes, danças e todos os outros eventos sociais agradáveis, trazendo alegria para os deuses e aos mortais.

Eram as auxiliares especiais das divindades do amor, Afrodite e Eros, e junto com outras Musas cantavam aos deuses no Monte 
Olimpo quando Apolo tocava sua lira. Elas formavam junto com outras Musas, o cortejo de Apolo, na sua qualidade de deus da poesia e da música.

Residindo no Olimpo, também faziam parte do cortejo de Afrodite a quem prestavam todos os cuidados, zelando por sua beleza e por seus prazeres. Quando Atena saia no exercício das suas atribuições pacíficas, nos trabalhos artísticos e operações espirituais, as Cárites a acompanhavam.

Como as Musas, acreditava-se que elas davam o dom aos artistas e poetas para a criação de lindos trabalhos de arte. As Graças eram tratadas como uma espécie de encarnação tripla de graça e beleza, uma triplicidade de Afrodite. Na arte elas normalmente são representadas como jovens virgens dançando num círculo.


Aglaya, o esplendor - a resplandecente, a que brilha, a esplendorosa, a esplêndida - era a mais jovem e bela das três Cárites. Simbolizava a inteligência, o poder criativo e a intuição do intelecto. 

Segundo algumas versões, era esposa de Hefesto - ainda que a versão mais difundida é de que Hefesto era casado com a deusa Afrodite. Seu casamento explica a tradicional associação das Graças com as artes. 

Aglaya era mãe de: Eucleia, deusa da boa reputação e a glória; Eufeme, deusa do correto discurso; Eutenia, deusa da prosperidade e a plenitude; Filofrósine, deusa da amabilidade as boas-vindas.

Eufrósine, o júbilo e alegria, era quem alegrava os corações. Alguns consideram que é a Graça intermedia entre Talía e Aglaya.

Talía, a festividade, aquela que fazia florescer, era a musa da comédia e da poesia bucólica ou pastoril. Era uma divinidade de caráter rural e era representada como uma jovem de aspecto zombador, levando em suas mãos uma máscara cómica e um cajado de pastor, uma coroa de hera na cabeça como símbolo da imortalidade e calçada de borceguíé ou sandálias. 

Foi mãe dos Coribantes junto com Apolo, sendo a maior das três Cárites ou as Obrigado. Presidia os banquetes e outras festividades, outorgando os dons da abundância e a fertilidade. 

Nas representações artísticas distingue-se por ser a única das três que leva flores na cabeça. Em outras obras aparece completamente vestida, em comparação com suas outras duas irmãs, que aparecem semidesnudas ou completamente nuas.


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Graça em sua primeira acepção designa a qualidade ou conjunto de qualidades que fazem agradável a pessoa que tem graça, ou aquela que é Cômica, que faz graça. No começo do século 20 era comum perguntar: - Qual é a sua graça? quando se perguntava o nome de uma pessoa. 

Esse costume, que ainda hoje se mantem em alguns lugares, e vem da cerimônia de batismo, quando se tornando um cristão, recebe a graça de Deus e, junto com a graça, recebe um nome.

O vocábulo Graça provém do latim gratia, que deriva de gratus - grato, agradecido - e por isso as Cárites ou Graças eram chamadas de As Obrigado. Graça derivado do latim gratiis - é o que foi dado pelas graças, gratuitamente e ainda gratificar, que desde o século 15, equivale a agradecer.

Pede-se 
uma graça a Deus; cai-se nas graças de alguém, diz-se estar em estado de graça quando se sente imensamente feliz, faz-se graças para despertar o riso, tem-se a graça de conceber um filho. 

Das Graças herdamos as expressões: ficar em estado de Graça, ansiamos pelas Graças de Deus e também pelo desejo de reunir em uma só palavra esse estado de beleza e alegria, que embora sendo uma dádiva ou presente divino, é fruto do esforço humano.

Elas dispensam aos homens não somente a alegria e igualdade de humor, mas a liberdade, a eloquencia e prudência. As Cárites operam arquetipicamente em nós como forças que promovem impulsos dirigidos para a beleza e para plenitude de expressão. As encontramos em nossa consciência sempre quando tentamos construir uma obra de arte a partir do nosso eu interior.


São as dádivas das Graças que trazem mais sabor às nossas vidas e nos fazem sonhar, além de nos inspirar em pequenos gestos que operam como milagres. Quando estamos apaixonados, diz-se estar em estado de Graça, o espírito das Três Garças nos acompanha de forma peculiar, diferente do que acontece no cotidiano. Quando se ama, no reino do amor não existe nenhuma competição, possessividade ou controle. Quanto mais amor se distribui, mais amor se tem.

No ritmo secreto do universo é o amor que move o mundo; é a origem, o destino e centro de nossas experiências.
 E as Graças ainda passam por nós todos os dias, nos convidando a sorrir, achar graça em tudo, para vivenciar a passagem suave e cheia de encanto das três Graças por nossas vidas...


quinta-feira, 28 de abril de 2022

Doutrina de Epicuro: ser feliz...





Nascido na Ilha de Samos em 341 a.C., o jovem Epicuro partiu para Téos na costa da Ásia Menor. Ainda criança ele estudou com Pânfilo, discípulo de Platão, sendo considerado um dos melhores alunos.  

Em 306 a.C. fundou sua própria escola filosófica, chamada "O Jardim", onde residia com alguns amigos tendo lecionado em sua escola até a sua morte em 270 a.C. Sua vida oi marcada pelo ascetismo, serenidade e doçura. 

O propósito da filosofia para Epicuro era atingir a felicidade, estado caracterizado pela Aponia - a ausência de dor física e Ataraxia ou imperturbabilidade da alma. Ele buscou na natureza as balizas para o seu pensamento: " O homem, a exemplo dos animais, deveria afastar-se da dor e aproximar-se do prazer ". 

Essas referências seriam as melhores maneiras de medir o que é bom ou ruim. Assim Epicuro utilizou da teoria atômica de Demócrito para justificar a constituição de tudo o que há. Das estrelas à alma, tudo é formado de átomos, sendo, porém de diferentes naturezas. 

Dizia que os átomos são de qualidades finitas, de quantidades infinitas e sujeitos a infinitas combinações. Assim a morte física seria o fim do corpo e do indivíduo, que era entendido como somatório de carne e alma, pela desintegração completa dos átomos que o constituem. 

Desta forma, os átomos, eternos e indestrutíveis, estariam livres para constituir outros corpos. Essa teoria, exaustivamente trabalhada, tinha a finalidade de explicar todos os fenômenos naturais conhecidos ou não e principalmente extirpar os maiores medos humanos: o medo da morte e o medo dos deuses. 

Naqueles tempos Epicuro percebeu que as pessoas eram muito supersticiosas e haviam se afastado da verdadeira função das religiões e dos deuses. Os deuses, segundo ele, viviam em perfeita harmonia, desfrutando da bem-aventurança divina. Não seria portanto, uma preocupação divina atormentar o homem de qualquer forma. 

Os deuses deveriam ser tomados como foram em tempos remotos, modelos de bem-aventurança, servindo como modelo para os homens e não como seres instáveis, com paixões humanas e que deviam ser temidos. Desta forma, procurou tranquilizar as pessoas quanto aos tormentos futuros ou após a morte. 

Não há por que temer os deuses, nem em vida e nem após a vida. Além disso, depois de mortos, como não estaremos mais de posse de nossos sentidos, será impossível sentir alguma coisa. Então, não haveria nada a temer com a morte. 

No entanto, no caminho da busca da felicidade, ainda estão as dores e os prazeres. Quanto às dores físicas, nem sempre seria possível evitá-las. Epicuro fez questão de frisar que elas não são duradouras e podem ser suportadas com as lembranças de bons momentos que o indivíduo tenha vivido. 

Piores e mais difíceis de lidar são as dores que perturbam a alma. Essas podem continuar a doer mesmo muito tempo depois de terem sido despertadas pela primeira vez. Para essas, Epicuro recomenda a reflexão. As dores da alma estão frequentemente associadas às frustrações. 

Em geral, oriunda de um desejo não satisfeito. Encontra-se, aqui, um dos pontos fundamentais para o entendimento dessa curiosa doutrina, que também foi tomada por seus seguidores e discípulos como um evangelho ou boa nova, o equacionamento entre dores e prazeres... 


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Das 300 obras escritas pelo filósofo, restaram apenas três cartas que versam sobre a natureza, sobre os meteoros e sobre a moral. Segundo Epicuro, para atingir a certeza é necessário confiar naquilo que foi recebido passivamente na sensação pura e, por consequência, nas ideias gerais que se formam no espírito, como resultado dos dados sensíveis recebidos pela faculdade sensitiva. 

Epicuro defendia ardorosamente a liberdade humana e a tranquilidade do espírito.  Ele acreditava que o atomismo poderia garantir ambas as coisas, desde que modificado. A representação vulgar do mundo com seus deuses, o medo dos quais fez com que se cometessem os piores atos, é obstáculo à serenidade. 

A doutrina de Epicuro entende que o bem reside no prazer, e, por isso, foi uma doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo. O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É o prazer da justa medida e não dos excessos.

É a própria natureza que nos informa que o prazer é um bem. Esse prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A natureza conduz-nos a uma vida simples. O único prazer é o prazer do corpo, mas o mais alto prazer reside no que chamamos de saúde. 

Entre os prazeres, Epicuro elege a amizade, por isso o convívio entre os estudiosos de sua doutrina era tão importante, a ponto de viverem em uma comunidade; o "Jardim". Ali, os amigos poderiam se dedicar à filosofia, cuja função principal era libertar o homem para uma vida melhor...





segunda-feira, 29 de junho de 2020

Oceanides: os bons daimones





Do casamento  entre Oceanus e Tétis, que simbolizava a fecundidade feminina do mar, nasceram as ninfas dos mares ou Oceanides, que personificavam os rios, riachos, fontes e nascentes. Também nasceram as Nereidas, além de todos os seres marinhos que tomavam parte ativa nas aventuras dos deuses, tal como os golfinhos. Assim, Oceanus e Tétis passaram a representar o fluir das águas e da vida. 

As oceanides eram representadas com coroadas de flores acompanhando a concha de sua mãe Tétis em seus cortejos marítimos e viviam nos fundos inacessíveis do mar e do oceano. Elas se uniram a deuses e mortais criando uma nova descendência numerosa. Seres semidivinizados e objetos de culto, às oceanides eram oferecidos sacrifícios, tais como touros e cavalos lançados em sua correnteza. 

Os mais prestigiados eram os deuses-rios. Os gregos representavam o Nilo como um deus que fertilizou o Egito. Os deuses-rios Nilo e Escamandro geraram outras ninfas ao se unirem com outros elementos. Os rios do Hades simbolizavam os tormentos dos condenados como Aqueronte, o rio das dores. Cocito era o deus-rio dos gemidos e das lamentações e Lete a deusa-rio do esquecimento. 

O deus-rio Achelous e Melpômene geraram as Sereias e de outros amores nasceram várias fontes, como a Castália em Delfos utilizada na preparação da pitonisa do Oráculo de Apolo. Alguns rios ainda simbolizam o grande rio cósmico, como o Jordão na Palestina, o Nilo no Egito e o Ganges na Índia. Entre as oceânides estavam incluídas também: 

  • as Néfelas - ninfas das nuvens, 
  • as Auras - ninfas das brisas,
  • as Náiades - as ninfas das nascentes,
  • as Limoníadas - ninfas dos pastos, 
  • as Antusas - ninfas das flores. 

Outro grupo de oceânidas eram descritas como assistentes das deusas olímpicas, sendo mais conhecidas: as 60 companheiras de Ártemis, Peitho - a criada de Afrodite e Clímene - a aia de Hera. Algumas das oceânidas personificavam bênçãos divinas, tais como: 

  • Métis (Sabedoria) 
  • Clímene (Fama) 
  • Pluto (Riqueza) 
  • Ticke (Boa Sorte) 
  • Telesto (Sucesso)  
  • Peitho (Persuasão) 

A deusa Nêmesis (Retribuição) às vezes também é incluída, como a que providenciava equilíbrio aos dons de suas irmãs punindo a boa sorte não merecida. Esses bons daimones eram os Agathoi ao contrário dos Kakoi, que eram maus daimones. Na Teogonia eram descritas 3.000 oceânidas , tantas quantas seus irmãos, os deuses-rios e nomeiava outras 41 oceânidas, chamadas de "áureos tornozelos"...


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Tal como as águas a vida flui, porém nem sempre é uma tarefa simples. A ilusão de controlar como tudo deve ser permeia nossas mentes e nubla nossa visão, não nos permitindo perceber os resultados que estamos obtendo a partir de nossas escolhas e ações. E, aí, não nos reconhecemos como seres atuantes e entregamos nosso poder de mudança ao acaso e às vontades alheias.

Aquele que não sabe o que quer, seja em qual área da vida for, aceita viver submisso aos outros e não enxerga saídas. Acha que fluir é perambular pelos dias, espreitando a vida como se não fosse digno de tudo o que aprecia, almeja e sonha. Ao contrário, só se pode fluir com a vida aquele que encontra em si mesmo o que tanto procura fora. 

Não ter objetivos traçados não significa que nossas vidas sejam sem sentido, apenas é um sinal de que não estamos no nosso centro, em algum momento nos perdemos de nós nas distrações corriqueiras e plastificadas de sociedades desumanas demais, que enquadram e resumem a existência em telas de um punhado de polegadas.

Deixar que as coisas fluam não é sinônimo de não fazer nada, agindo como um espectador curioso que anseia um futuro qualquer pra ver no que dá, vivendo os sonhos apenas na imaginação e nunca os transformando em realidade. Tampouco é sair por aí desenfreado, agindo sem pensar, atropelando a si mesmo e aos outros na cegueira do automatismo. Duas situações opostas que não levam a lugar algum. 

Saber no mais profundo do nosso ser o que realmente queremos, sentimos e o que estamos buscando é um trabalho de auto-observação constante, não cessa. Quando temos essa intimidade conosco, que nos permite a compreensão do eu, entendemos que deixar fluir nada mais é do que perceber, de uma vez por todas, que, para manifestar nossos sonhos, é preciso entender quem somos e nossos reais propósitos, aquilo que nos alegra e eleva e faz o coração vibrar numa certeza tão intensa que julgamento mental algum ousa abalar.

Todas as respostas sussurram aos ouvidos e os acontecimentos nos banham em evidências de estarmos em total acordo com nossa alma. E isso é deixar fluir! A vida nos conduz a observá-la de forma panorâmica. Olhando de cima, vemos todos os pontos: novos caminhos, oportunidades, possíveis mudanças e a coragem pra agir, pra caminhar de forma fluida, atento e com a percepção aguçada. 

Temos cinco sentidos que não existem à toa. Como bônus, há também um sexto sentido, comumente chamado intuição. Compreender nossas aspirações nos abre as melhores portas e isso é totalmente diferente de simplesmente adentrar qualquer porta, vivendo por viver e esperando que, sem plantar, colheremos frutos. Se sabemos bem aonde estamos indo, ficamos mais leves para aceitar o inesperado que vem sem perder de vista o que buscamos para o amanhã. 

É que as vezes as coisas não saem como idealizamos; elas saem da forma que precisam para nos trazer os aprendizados que nos guiarão às respostas que tanto pedimos. O que pedimos nos é apresentado em forma de desafios, e os desafios nos tornam vencedores, aptos a descobrir mais, a transcender qualquer obstáculo. Observe: se pedimos paciência, situações complicadas nos exigirão o exercício da paciência. 

Só se aprende alguma coisa pelo próprio esforço e nos relacionando com os outros. É assim em todos os cenários de nossas vidas. Tudo o que se apresenta a nós está requisitando nosso trabalho. Portanto, toda vez que ouvimos ou sentimos que devemos deixar a vida fluir, é um sinal de que é chegada a hora de liberar um pouco desse peso que carregamos desnecessariamente. 

Abrir mão de certas coisas pode ser de fato muito inteligente de nossa parte e trazer aquele alívio que buscamos, mas não temos coragem de entregar, pois achamos que tudo está sob nosso controle. Melhor não pensarmos assim. Vamos seguir rumo aos nossos objetivos e deixar que a vida se encarregue de nos orientar ao próximo passo, na segurança de que somos todos merecedores do melhor e totalmente capazes de lidarmos com o pior, mesmo que não saibamos disso ainda...





quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Hermes Trimegistus




Hermes Trismegistus ou Hermes - três vezes grande - é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas que idolatravam o deus egípcio Thoth, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia. Como escriba e mensageiro dos deuses, no Egito Helenístico Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos herméticos.

A Filosofia Hermética se baseia nos Princípios Herméticos incluídos no livro "O Kybalion" e parece destinada a plantar uma semente de verdade no coração dos sábios, que perpetuam e transmitem os seus ensinamentos. Em todas as civilizações sempre existiram ouvidos atentos a estes ensinamentos.

Como diz o próprio Kybalion: " Em qualquer lugar que se achem os vestígios do Mestre, os ouvidos daqueles que estiverem preparados para receber o seu ensinamento se abrirão completamente. Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para enchê-los de sabedoria".

No antigo Egito foi estabelecida a maior das Lojas dos Místicos e pelas portas de seus Templos entraram os Neófitos que, mais tarde, como Hierofantes, Adeptos e Mestres, se espalharam por todas as partes da terra, levando consigo o precioso conhecimento que possuíam para ensiná-los àqueles que estivessem preparados para compreende-lo.

Em nossos dias o termo hermético significa secreto, fechado de tal maneira que nada escapa. Isso significa que os discípulos de Hermes sempre observavam o princípio do segredo nos seus preceitos. Os antigos instrutores pediam este segredo, mas nunca desejaram que os preceitos não fossem transmitidos.

Não instituíram uma religião, de forma que estes princípios pudessem ser aproveitados por todas as religiões e que não pertencessem a nenhum credo. De fato, os Princípios Herméticos são baseados nas Leis da Natureza e como tais pertencem somente à Ordem Divina.

As doutrinas sempre foram transmitidas a partir da palavra do Mestre para o ouvido de seus discípulos. E ainda que esteja escrita em toda parte, foi propositalmente velada com termos de alquimia e astrologia, de modo que só os que possuem a chave podem-na ler bem.


Textos herméticos

Os textos herméticos continham ensinamentos sobre artes, ciências, religião e filosofia, cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulado pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria. 

O Corpus Hermeticum, datado provavelmente do século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo.

Segundo Clemente de Alexandria os 42 livros eram subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes. O segundo, dos rituais do templo. O terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura. O quarto, de astronomia e astrologia, matemática e arquitetura. O quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis. O sexto era um texto médico.




Paracelso

Foram esses textos herméticos que inspiraram Paracelso, um grande médico alemão, alquimista, físico, astrólogo e ocultista que viveu entre 1493/1541. Formado em medicina aos 17 anos e doutorado na Universidade de Ferrara, alguns zombavam de suas teorias. Apesar disso, ele sustentava uma aura de místico e até mesmo a obscura reputação de mago.

Segundo Paracelso o homem unia em si mesmo e em torno dele todos os componentes do mundo como minerais, plantas, animais e corpos celestes, podendo adquirir conhecimento da natureza de modo muito mais direto e de forma interna, do que a forma externa de consideração dos objetos pela mente racional. Seria necessário apenas uma atração simpática entre o interior representativo de um determinado objeto, na própria constituição do homem e o seu homólogo externo.

Dessa forma, a união com o objeto seria então o soberano meio de adquirir conhecimento íntimo e total, mas isso não seria alcançado pelo cérebro, a sede da mente racional. Então seria o seu corpo astral que ensinaria o homem. Por meio do seu corpo astral o homem comunicaria com a supraelementrariedade do mundo astral.

Astrum é o contexto que denota não só o corpo celestial, mas a virtude ou atividade essencial de qualquer objeto. Isto no entanto não é atingido num estado racional de pensamento, mas sim em sonhos e transes fortificados por força de vontade e imaginação. Portanto para Paracelso existiria um sistema de correspondências na filosofia e medicina natural.

Paracelso faleceu aos 47 anos acreditando ter descoberto o Elixir da Vida ou Elixir da Imortalidade, uma panaceia universal buscada pelos alquimistas na esperança de curar todas as doenças e assim prolongar a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas, principalmente de Cagliostro, cuja vida tornou-se um grande mistério. ( Vide post sobre Cagliostro em meu blog Parlando d'Itália / Emilia romagna San Leo ou click aqui. )




Emanações de energia

Hoje sabemos que todos os corpos emanam energia, que se manifestam em maior ou menor intensidade. O Ser ativo, distribui calor, é participativo, solidário, ético e decisivo, manifestando-se em grande, maior e alta intensidade. 

Esse é o ser benevolente e altruísta, que pratica boas ações, ajuda ao próximo sem esperar recompensa, tem o pensamento voltado para a prática do bem e para trazer a paz entre os homens de boa vontade.

Em contrapartida, o Ser inativo é frio, egoísta, passivo, corruptor, indeciso e se manifesta em intensidade baixa, rasa e sofrível. Esse é um ser voltado para o mal, faz o mal, vive para o mal, pratica o mal, venera o mal, participa para o mal, tem o pensamento voltado para o mal, ludibriando a vontade alheia em proveito próprio. Sua intensidade rasa aproxima da intensidade zero, onde estão os doentes em fase terminal.

Evolução Espiritual


Segundo a Lei de Evolução Espiritual, tudo aquilo que emitimos invariavelmente retorna mais tarde nas mesmas proporções. Isso acontece porque o Universo opera sua evolução cósmica através de Leis. Dessa forma, quando a nossa personalidade-alma se alinha e harmoniza com as energias saudáveis e construtivas do Universo, também recebe de volta as emanações conhecidas como Dharma.

Então à medida que evoluímos a nossa consciência e buscamos trabalhar a sua expansão, entramos em harmonia com a nossa capacidade de dar ao próximo e ao mundo tudo aquilo que almejamos para nossa vida. Com isso atraímos a constante abundância do Universo. Este é fluxo natural, o caminho da energia universal do qual se origina todas as coisas.


Lei da Atração

Nada é estático! Nossa mente está em constante ressonância com a consciência cósmica universal. Nossa aura, nosso campo de energia humana reflete o que somos no íntimo, assim como nossa personalidade-alma e as energias com as quais estejamos em sintonia num dado momento.

Tudo no Universo é justo e perfeito. Portanto, quando emitimos sentimentos negativos de ódio, inveja, vingança ou vibramos pensamentos negativos dirigidos aos outros, mais adiante tudo retornará até nós nas mesmas proporções e até mesmo ampliado. Assim também são as ações coletivas, que por fim retornam ao povo como o Carma Coletivo.

Rever conceitos, valores, mudar condutas, atitudes e pensamentos ajudam no processo de evolução espiritual, mas também atrai para a nossa vida grandes bençãos, curas e milagres. Tudo isso está inserido nas Sete Principais Leis Herméticas, que se baseiam nos princípios incluídos no livro Caibalion e reúne os ensinamentos básicos da Lei que rege todas as coisas manifestadas.


Princípios Herméticos


O Caibalion ou Kybalion é um livro de 1908 sobre os Princípios Herméticos. Escrito por três indivíduos auto-intitulados de "Os Três Iniciados", segundo eles contêm a essência dos ensinamentos de Hermes Trismegisto tal como ensinado nas Escolas Herméticas do Antigo Egito e da Grécia. Muitas das ideias anteciparam conceitos modernos como a Lei da Atração.

Lei do Mentalismo: O Todo é Mente. O Universo é mental. A matéria é como os neurônios de uma grande mente, um universo consciente e que pensa. Todo o conhecimento flui e reflui de nossa mente, já que estamos ligados a uma mente divina que contém todo o conhecimento.

Lei da Correspondência: O que está em cima é como o que está embaixo. O que está embaixo é como o que está em cima. A perspectiva muda de acordo com o referencial. O que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa.

Lei da Vibração: Nada permanece inalterado ou parado. Tudo vibra. Tudo se move. No universo todo movimento é vibratório. Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento. Tudo oscila de acordo com as temperaturas e harmonia.

Lei da Polaridade: Tudo é duplo. Tudo tem dois polos. Tudo tem o seu oposto. Os opostos são apenas extremos da mesma coisa e se tocam. O igual e o desigual são a mesma coisa. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados. Tudo é idêntico em natureza. Claro e o escuro são manifestações da luz. Amor e ódio são apenas manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

Lei do Ritmo: Tudo tem fluxo e refluxo. Tudo tem suas marés. Tudo sobe e desce. O ritmo é a compensação. O princípio é manifestado pela criação e pela destruição. É o ritmo da ascensão e da queda, da conversão energia cinética para potencial e da potencial para cinética. Os opostos se movem em círculos.

Lei do Gênero: O Gênero está em tudo. Tudo tem seus princípios masculino e feminino. Nada é 100% masculino ou feminino, mas sim um balanceamento desses gêneros. O gênero se manifesta em todos os planos da criação, que os chineses chamam de Yin e Yang. Toda criação depende dos dois polos.

Lei de Causa e Efeito: Toda causa tem seu efeito. Todo o efeito tem sua causa. Existem muitos planos de causalidade, mas nenhum escapa à Lei. Nada acontece por acaso. O acaso não existe. Isso implica que somos responsáveis por tudo que nos acontece. Esse princípio, aceito desde a antiguidade por todas filosofias de pensamento, chama-se Karma.

Esses princípios muito usados por astrólogos, tarólogos, grafólogos, homeopatas, terapeutas florais e por todos aqueles que sabem que o ser o humano faz parte de um Todo, estando portanto submetido às leis Universais. É natural que o ser humano esteja em harmonia com esse Todo.

Sob os Princípios das Leis Herméticas, tudo se torna claro e transparente às mentes mais esclarecidas. A desarmonia sempre se manifesta através das doenças físicas ou mentais, acidentes, infortúnios e buscar a cura significa ter a chance de evoluir espiritualmente.




quinta-feira, 23 de maio de 2019

Tykhe, deusa da boa sorte





Nos antigos cultos gregos, Tykhe ou Tique era a divindade tutelar responsável pela sorte de uma cidade. Considerada como uma das deusas do destino, ela era uma das Oceanides, filha de Oceanus e Tétis. Sua equivalente na mitologia romana era a Fortuna - a boa sorte.

Às vezes representada segurando um leme, foi concebida como a divindade que guiava e conduzia os assuntos do mundo. Sempre com os olhos vendados, Tykhe não fazia qualquer distinção entre as pessoas. Assim a boa ou má sorte não dependia do merecimento, mas de quem procurava estar sempre ao seu lado.

Durante o período helenístico, cada cidade venerava sua própria versão de Tycke. Uma delas portava uma coroa em formato das muralhas que protegiam a cidade. Entre os muitos templos dedicados a ela, em Alexandria existia o Tykhaeon - Templo de Tykhe, que foi um dos mais magníficos de todo o mundo helenístico.

Era considerada como protetora, mas também como aquela que poderia punir a soberba de uma cidade, sendo relacionada com os reveses inexplicáveis que aconteciam. A eficácia de seu caprichoso poder alcançou respeitabilidade até mesmo nos círculos filosóficos da época, embora entre os poetas fosse insultada por sua ação nas mudanças imprevisíveis da fortuna...


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O mito de Tykhe nos remete à definição: o que é a sorte? Depende de quem a interpreta. Segundo o dicionário clássico: "sorte é uma força imprevisível e incontrolável, que modela eventos de forma favorável ou não". 

Já o autor Max Gunther a define como "um evento aparentemente fora de nosso controle, que influencia nossa vida". Nesse contexto, sorte seria um quase-sinônimo de destino. 

Todo mundo tem sorte e azar na vida, mas isso não acontece por acaso. Na verdade, sorte e destino é uma mistura de matemática, psicologia, atitude diante das coisas e principalmente, sabedoria para fazer escolhas melhores e atrair mais oportunidades na vida – em especial aquelas que são geradas por uma sequência de acasos e parecem cair do céu. 

Sorte pode depender do acaso, mas você pode influenciar esse acaso a seu favor: basta encontrar alguma lógica naquilo que parece aleatório. É mais fácil do que parece, mesmo porque o ser humano já vem fazendo isso há muito tempo. 

Isso pode ser visto na questão do clima. Num dia chove, no outro faz sol. Essa alternância não tinha nenhum sentido para os homens das cavernas. Aos poucos, nossos antepassados foram decifrando a lógica  do tempo.  

Sorte: questão de probabilidades...

A humanidade inventou o primeiro calendário e a partir daí percebeu que existiam anos, meses e estações, assim como as épocas em que a probabilidade de chover ou fazer sol era maior ou menor. 

Sabendo a melhor época do ano para plantar e colher, o homem se tornou capaz de produzir a própria comida. Calculando as probabilidades, o homem começou a explora-las e assim manter o controle da própria sorte. 

Claro, sempre acontecerão coisas que parecem aleatórias. Imagine que a sorte são bolinhas caindo do céu. Você não sabe quando elas vão cair nem de que lado, mas se construir um funil bem grande, a chance de pegar as bolinhas será maior. Como construir esse funil? Reunindo o máximo possível de informações sobre cada situação e calculando as probabilidades envolvidas.

Sorte é sim, 
uma questão de comportamento...

A previsão fica melhor conforme você tem mais informações. Dessa forma você pode aumentar suas chances e arriscar. Mas o que significa arriscar, exatamente? No dia a dia, é ter a coragem de fazer algo aparentemente muito simples: se comportar como se você fosse uma pessoa de sorte. 

A sorte costuma sorrir para quem se comporta de maneira sortuda. Coisas boas acontecem para quem age com otimismo e está aberto às oportunidades. Sortudos se beneficiam de um ciclo virtuoso de sorte: eles se consideram sortudos e, a partir dessa crença, agem do jeito certo para aproveitar a sorte. 

O azarado se irrita na fila do supermercado, evita conversas com estranhos e, quando aceita trocar algumas palavras com alguém, frequentemente está preocupado com outra coisa – a ponto de não perceber que está diante do amor da sua vida ou de seu futuro empregador.

Depois de jogar fora uma oportunidade, o azarado evita passar debaixo de uma escada, uma superstição boba e vazia. Enquanto isso, o sortudo aproveita a fila para bater papo. Pesquisas comprovam que pessoas que se consideram sortudas, exibem em média 27% maior extroversão em testes de personalidade. Elas conseguem transformar encontros casuais em situações positivas. Porque sorte é, sim, uma questão de comportamento.  

Efeito borboleta

Ok, você aprendeu que é importante calcular as probabilidades das coisas – e que, para ter sorte, é fundamental se comportar como uma pessoa de sorte. Sempre existirão coisas totalmente incontroláveis, puramente dependentes do acaso. 

A ciência faz um grande esforço para dar ordem ao emaranhado de ações e reações da natureza, mas a tarefa não é simples. Se fosse, você não chegaria em casa ensopado depois de confiar na previsão furada feita pelo telejornal. 

Nem sempre os padrões identificados no passado podem ser aplicados no presente e, menos ainda, no futuro. Curiosamente, foi logo um meteorologista, o americano Edward Lorenz, o primeiro a perceber isso. 

Ele descobriu que alterações quase insignificantes poderiam mudar drasticamente o resultado final, o que chamou de Efeito Borboleta: porque algo muito pequeno, como o bater de asas de uma borboleta, poderia causar algo muito grande, como um tornado em outra parte do mundo. Esse conceito transformou o estudo do caos. 

Transforme o azar em sorte

Na vida, existem coisas que são realmente imprevisíveis e por isso impossíveis de influenciar. Nesses casos, nos resta apenas interpretar os acontecimentos de uma forma que favoreça a nossa sorte. 

Então, da próxima vez que você der de cara com um embarque encerrado, pegar uma fila, tropeçar na rua ou se deparar com algum contratempo que pareça azar, lembre-se: pode ser seu dia de sorte. 

O que interessa não é ganhar ou perder, mas o modo como encaramos os fatos. Às vezes um azar pode ser transformado em sorte. Supondo que você perdeu um voo, pode acontecer de você encontrar outra pessoa que também não conseguiu embarcar e daí surgir uma grande amizade ou um grande amor. Portanto, em qualquer caso, aja como uma pessoa de sorte. 


Busque o novo. Faça coisas diferentes. 

Com isso, sua chance de ter sorte se torna estatisticamente maior. Multiplique as chances. Só ganha na loteria quem joga. Participe mais de concursos e não dê bola para os números.

Mesmo que um concurso seja muito concorrido, não desista. Não considere sua chance pequena. Seja otimista. Acredite. Se você não acredita que vai ganhar na loteria e nem vai encontrar sua cara-metade, provavelmente não vai encontrar mesmo.  


Aceite o acaso. Não tente ser racional o tempo todo. 

Aceite que a vida tem coisas aleatórias. Você terá azar de vez em quando, mas, quando isso acontecer, esteja preparado. Seja positivo. Não se lamente. Ficar pensando no pneu furado não fará com que um pneu novo apareça magicamente no lugar. Seja ativo. Pense a longo prazo. Talvez você seja demitido hoje, mas poderá encontrar um trabalho melhor amanhã – oportunidade que só notou porque estava desempregado. 


Analise objetivamente a situação 
e mude sua conduta a partir disso. 

Seja sociável. Quanto mais pessoas você conhecer, maior é a chance de que alguma delas traga boas notícias – como uma oferta de trabalho. Tenha calma. Se você vive correndo, jamais terá a sorte de notar aquela pessoa especial e nem nota de R$ 50 dando sopa na calçada. Medite. Meditar ajuda a tomar boas decisões, o que é essencial à sorte. Um estudo constatou que as pessoas sortudas meditam com mais frequência... 




quinta-feira, 10 de maio de 2018

Atis e Cybele: os perigos das paixões e dos desejos






Contam os historiadores que há 3200 anos nasceu um Daemon no Monte Agdistis, que tinha atributos masculinos e femininos. Temendo a reação dos deuses do Olimpo, seus pais cortaram seu órgão masculino e enterraram num local onde depois nasceu uma amendoeira. Assim Cybele cresceu como uma menina. 

A amendoeira cresceu, floresceu e quando surgiu um fruto maduro, a ninfa Nana apanhou a fruta e a colocou sobre seus seios. Num passe de mágica o fruto desapareceu e ela engravidou. 

Depois de algum tempo nasceu um menino forte que recebeu o nome de Átis, mas ela o abandonou na montanha, onde foi criado por uma cabra e depois adotado por um casal de pastores. 

Átis cresceu, tornou-se um pastor de ovelhas e era muito admirado por sua extraordinária beleza. Por circunstâncias do destino, certo dia Átis e Cybele se encontraram e se tornaram amantes apaixonados. 

Os pais adotivos de Átis já tinham prometido que ele se casaria com a filha do Rei Midas, por isso providenciaram a cerimônia do enlace de Átis com a princesa. Porém no dia do casamento Cybele surgiu com seu poder transcendente fazendo Átis enlouquecer. 

Sem se dar conta de seus atos, Átis se automutilou. Depois de ter cortado seu órgão genital, Átis morreu aos pés de uma árvore. Com o fato consumado Cybele se arrependeu e em memória de Átis declarou que todos os sacerdotes deveriam ser castrados. 

Porém, não querendo ver o corpo de Átis apodrecer, a deusa o fez renascer como um pinheiro verde em 25 de março, dia em que ocorria o festival de Hilaria. 

A data do festival coincidia com o equinócio, que marcava o fim do inverno e anunciava a chegada da primavera. Além de ser o primeiro dia do ano também era o mais longo, que indicava a temporada de renascimento, renovação e rebrota.

Àtis passou a ser venerado como um deus da vegetação e dos frutos da terra que renascem na primavera. Seus sacerdotes, os gauleses ou Galli, se tornaram eunucos e jamais pensavam em sexo. 

Ao contrário das celebrações dedicadas para Átis, os cultos dedicados a Cybele eram feitos pelos Curetes ou Coribantes, incluindo muitas manifestações orgíacas. 

Com uma cornucópia nas mãos, ela representa a abundância, a fertilidade e riqueza, Cybele também ostentava uma coroa em forma de muralhas e um carro puxado por leões que simboliza seu poder ambivalente de proteger ou destruir...  


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A "Mãe Terra" aparece em muitas mitologias, sendo personificada como as deusas da fertilidade, da maternidade e da origem de todas as coisas vivas. Uma delas foi Cybele, adorada por gregos e romanos, que lhe prestavam muitas reverências para que tivessem o alimento gerado pela terra. 

Nos contos antigos a amêndoa figura como o princípio de todas as coisas, talvez porque sua delicada flor lilás é um dos primeiros arautos da primavera. Por não entenderem muito do processo de germinação, eles invocavam e pediam a proteção dos deuses no plantio e nas colheitas. 

Vários contos mitológicos e históricos relatam mulheres virgens que se tornaram mães virgens, mas na verdade são relíquias de uma era de ignorância quase infantil, em que as pessoas ainda não reconheciam o sexo como a verdadeira causa da prole. 

As mutilações narradas desde o início mostram a dificuldade para entender as questões sexuais e a dupla natureza contida nos seres vivos. Poetas e pensadores gregos tinham uma forma muito sofisticada para falar de amor e sexo. 

Além disso, os gregos se sentiam muito assustados com a ideia da paixão, pois sentiam que poderiam ser dominados por algo muito perigoso e até fatal. Prova disso são os mitos envolvendo grandes paixões, que sempre terminam em grandes tragédias. 

Os gregos sempre advertiam para os perigos das paixões e dos desejos. Quem já se apaixonou sabe do frio na barriga, o nervosismo, as mãos frias... O que poucos imaginam é que a paixão é construída no inconsciente muito antes de acontecer de fato. 

Cada pessoa tem a fantasia de que a sua metade está por aí. Há um preparo inconsciente de que um belo dia vai encontrar uma pessoa com características especiais, como a beleza, a sedução ou o sorriso, que se assemelham com essa figura inconsciente. 

Freud fala que a paixão não é um encontro, mas o reencontro de uma figura que já estava pré-marcada dentro da pessoa. Ou seja, cada um de nós imagina uma pessoa que, de repente, aparece. É quando a paixão que se desejava aparece como uma figura real. 

Freud diz que a paixão é uma forma de loucura, porque você sente coisas, delira, imagina. A paixão é um estado maravilhoso no sentido fantástico, possivelmente um dos maiores prazeres do ser humano. Porém a paixão é cega; se nega a ver os defeitos do outro. 

Também impede o raciocínio. Não se sabe de onde ela vem, mas certamente provoca em duas pessoas uma reação química. Química não tem a ver com beleza. Às vezes, um casal fica totalmente ligado sexualmente, mas não afetivamente. Mas embora seja intensa, não dura muito. 

A paixão não tem um tempo determinado. Na adolescência, costuma durar menos. Tudo é muito intenso, acontecem mudanças o tempo todo e o parceiro pode não acompanhar. Na fase adulta, há pessoas que são mais apaixonáveis, trocam de parceiro a cada seis meses e estão sempre apaixonados, só que não dura. 

Quem fica trocando de parceiros rápido, apaixona-se rápido, mas se frustra rápido também. É aí que a paixão pode se tornar perigosa e chegar a um ponto insuportável, principalmente quando não é correspondida. 

As pessoas que perdem uma paixão sofrem terrivelmente e há quem fique o resto da vida sonhando com essa paixão que não aconteceu. É um sofrimento absurdo. Não tem como não sofrer. Tem de passar por isso, atravessar a situação. 

O melhor de tudo vem depois que a paixão passa. Mantém a atração, a relação evolui e se transforma em amor. O amor é mais calmo, tranquilo, elaborado. Não precisa ser tão possessivo, mas podem existir áreas de paixão intensa. 

Há pessoas que mantêm uma relação durante toda a vida com o mesmo parceiro e, mesmo tendo o amor, continuam apaixonados por algum ponto específico, como o corpo, a personalidade, a cumplicidade a dois...





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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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