segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Asclépio, deus da medicina


Não havia donzela mais formosa em toda Tessália do que Corônis. Apolo apaixonou-se por ela e conceberam um filho, mas durante a gestação ela se apaixonou por um mortal, o jovem Ischys. Quando Apolo soube da traição, sentenciou Corônis à morte. No momento em que ela estava sendo colocada sobre a pira para ser queimada, Apolo arrancou do seu ventre o menino ainda vivo. Assim nasceu Asclépio confiado ao centauro Kiron que lhe ensinou a medicina.

Asclépio crescia e com o tempo adquiriu uma grande habilidade na medicina, descobrindo uma maneira de ressuscitar os mortos tornando-se o Deus da medicina. Ele recebeu de Atenas o sangue vertido das veias da Górgona Medusa que continha o violento veneno do lado esquerdo e o sangue do lado direito que era salutar; Asclépio o utilizava para devolver a vida aos mortos.

Asclépio apaixonou-se por Epione, que se tornou deusa da anestesia, aliviando as dores. Tiveram os filhos:
  • Machaon (cirurgião) e Podaleirus ou Podalirio (o dom do diagnóstico e da psiquiatria) que foram os médicos dos gregos na Guerra de Tróia;
  • Telésforo - o pequeno gênio da convalescença,
  • Panaceia - a deusa dos medicamentos e ervas medicinais,
  • Iaso - deusa da cura,
  • Áceso - deusa dos cuidados e enfermagem,
  • Aglaea - deusa dos bons fluidos, boa forma e beleza natural, e
  • Hígia ou Higeia - deusa da prevenção das doenças, que deu origem ao termo Higiene (limpeza, higiene e saneamento).
Mas a maestria de Asclépio tornou-se perigosamente grande e começou a ressuscitar os mortos. Temendo que Asclépio revertesse a ordem do mundo passando esse conhecimento aos homens, Zeus o matou com um raio. Apolo colocou o seu filho entre as estrelas como a constelação do Serpentário, o Ophiucus e o divinizou. Assim Asclépio é um Deus que não está no Olimpo nem habita o Hades, mas caminha entre os homens ensinando a medicina e aliviando-os das doenças.

Os atributos de Asclépio eram as serpentes enroladas em um bastão, o caduceu, que se transformou no símbolo da medicina. As serpentes eram consagradas a Asclépio, provavelmente devido à superstição de que aqueles animais têm a faculdade de readquirir a juventude, mudando de pele. Também são a sua epifania - a inspiração divina - e está presente espírito dos médicos e profissionais de saúde, estimulando a um conhecimento do corpo humano e também das ervas e drogas.

Havia numerosos oráculos de Asclépio. O mais célebre era o de Epidauro no Peloponeso, onde se desenvolveu uma verdadeira escola de medicina, cujas práticas eram sobretudo mágicas. Os enfermos procuravam respostas e cura para suas enfermidades dormindo no templo. Pelas descricões deduz-se que o tratamento aplicado constituia o que hoje se chama magnetismo animal ou mesmerismo.

O culto a Asclépio, chamado Esculápio pelos romanos, foi introduzido em Roma por ocasião de uma grande epidemia, quando se enviou uma embaixada ao templo de Epidauro para implorar a ajuda do deus. Esculápio mostrou-se propício e, quando o navio voltou, acompanhou-o sob a forma de uma serpente. Chegando ao Tibre a serpente desceu do navio e tomou posse de uma ilha no rio onde foi erguido um templo ao deus. Teve muito prestígio no mundo antigo quando seus santuários converteram-se em sanatórios.

A arte da cura e da medicina era praticada pelos Asclepíades. O mais célebre deles é Hipócrates, (470-377 aC) que nasceu em Kós, fundador da ciência grega da medicina. Para Hipócrates, a moderação é o que proporciona uma vida sã. Quando surge uma doença, é porque a natureza está em desequilíbrio físico ou psíquico. A receita da vida saudável é a moderação, a harmonia: Mens sana in corpore sano - mente sã em um corpo são.



12 comentários:

  1. Olá, não sei se pôde ler meu último comentário, no entanto, parabenizo novamente pelo ótimo site, pelos ótimos textos e imagens, 100% legal. Já está linkado na minha página principal, gostaria de saber se você aceitaria uma parceria e também linkar meu blog ao seu ^^

    espero que goste de visitá-lo

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  2. Desculpe-me responder seu comentário com atraso. Agradeço seu elogio e com certeza vamos somar; duas cabeças juntas sempre pensam mais que duas cabeças isoladas. Trocar conhecimentos é super produtivo. Seja benvindo ao meu blog. Vai estar linkado e quando tiver sugestões, ficarei grata. Abraços, Lucia

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  3. Olá adorei o texto, mas só uma curiosidade, é que andei pesquisando bastante e esse tal símbolo da medicina não é exatamente assim, pois esse é o caduceu símbolo de Hermes, o deus grego do comércio e dos viajantes. O símbolo da medicina na verdade seria o bastão de asclépio que só tem uma cobra enrolada em um bastão sem asas. Só estou escrevendo por curiosidade mesmo, mas gostei muito do texto porque até o momento estava completamente enganada sobre quem era o deus da medicina.

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  4. ótima observação da Paloma: a medicina é uma só sobra enrolada em um bastão sem asas. eu considero que no texto a terapeia é a deusa que cuida dos medicamentos e a panaceia cuida da ritualística, hoje conhecido por efeito-placebo. grato! olair rafael, médico homeopata

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  5. Apena agora estou conhecendo o blog, achei interessantíssimo.
    mas apernas reforçando que o simbolo da medicina é o bastão com uma cobra enrolada.
    este ai é o caduceu de Hermes, simbolo do comercio. mas que os estadounidenses insistem em divulga-lo, talvez por, muitos, assim encaram a medicina!!

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  6. Prezada Lúcia,
    Amei o blog, mas senti falta da história de Higeia e Panaceia, as duas filhas de Asclépio. Principalmente das concepções em que Higeia preconizava a medicina preventiva e a sua irmã Panaceia a curativa. Pensamento que perduram na atualidade.
    Mirian Calíope

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  7. Sou professor de Filosofia e sempre falo dos mitos gregos para os meus alunos. Os alunos sempre se referem aos mitos como superstições ou lendas do passado, que foram definitivamente abandonadas à medida em que o conhecimento científico crescia e oferecia explicações racionais a respeito do mundo, da natureza, etc. Tenho dificuldades para explicar a eles que os mitos existem ainda hoje, principalmente em relação às religiões

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  8. o Simbolo na postagem é o Caduceu de Mercúrio, símbolo da contabilidade. O da medicina é o Bastão de Asclépio, formado por um bastão e uma cobra envolta nele.

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Agradeço os seus comentários, críticas e sugestões

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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